6/7/2018 12:00

Maurício Galiotte comenta sobre a política do Palmeiras; confira

Foto: Fernando Vidotto

Seja pela expectativa para a sequência da temporada, a reprovação das contas do mês de janeiro por parte do COF, pelas vendas recentes de jogadores ou pela situação política, os bastidores do Palmeiras voltaram a ser assunto entre torcedores nas últimas semanas.



Vivendo os últimos meses do seu primeiro mandato, o presidente Maurício Galiotte conversou com a reportagem do GloboEsporte.com no hotel que hospeda a delegação na Cidade do Panamá e rejeitou a ideia de qualquer polêmica por causa dos aditivos no contrato com a Crefisa, que fez o clube reconhecer uma dívida pelo o que foi investido em reforços pela empresa.

– Pagamos na minha gestão mais de R$ 160 milhões entre bancos, fundos e ações na Justiça. Eu não vejo problema pagar os R$ 120 milhões, até porque nunca tive os ativos das dívidas que pagamos e hoje temos, que são os jogadores. Não entendo como temerária essa situação – explicou o dirigente, que vai propor a criação de um fundo para pagamento da dívida.



De um perfil mais reservado em relação ao futebol, mas sempre presente em viagens, jogos e na Academia, Galiotte se mantém muito presente no dia a dia do clube social. Tanto que é uma figura conhecida dos associados e é sempre visto nas alamedas palmeirenses, rotina conhecida antes mesmo de virar vice.

Na primeira eleição de Paulo Nobre, em 2013, ele foi eleito para ser o primeiro vice, algo que se repetiu em 2015. Depois de dois anos de grande ascensão do clube, o atual presidente foi eleito em 2017, em uma disputa que contou com uma chapa única.

Se não houve oposição registrada naquela época, o cenário atual é diferente. A tendência é que Genaro Marino, atual segundo vice e ligado ao grupo de Paulo Nobre, dispute o pleito de novembro, até com a possibilidade de apoio do grupo ligado a Mustafá Contursi.

Da situação, Galiotte diz ainda aguardar para definir se tentará a reeleição e quem serão os seus candidatos aos quatro cargos da vice-presidência.

– Não temos (chapa definida). Vamos conversar sobre eleições a partir de setembro. Vou me reunir com as pessoas que são próximas e com quem estamos trabalhando, aí vamos pensar no futuro e reeleição. Vamos conversar com o grupo e debater um pouco para definir o que vamos fazer – afirmou o dirigente.

Sobre o mercado, o presidente do Verdão admitiu que o clube tem mais propostas para saída de jogadores, além das vendas já confirmadas de João Pedro, Tchê Tchê, Fernando e Keno, mas ressaltou o desejo de manter os principais atletas. Quando o assunto é contratação, o clube vê o mercado limitado neste momento, e até por isso não vai fazer "loucura", palavras do próprio dirigente quando questionado sobre Miranda e Bernard.

No bate-papo, Galiotte falou também sobre a saúde financeira do clube, a reforma estatutária que será votada pelos sócios, em agosto, que prevê o aumento do mandato presidencial para três anos, o sobre elenco comandado por Roger Machado.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista de Galiotte:
Dinheiro

– A situação financeira do clube é equilibrada. O Palmeiras hoje tem condições de arcar com seus compromissos, inclusive quitando algumas situações que vêm do passado, ações da área jurídica. Desde o início da minha gestão, foi ao redor de R$ 23 milhões que pagamos de situações anteriores. É importante o torcedor saber que com o dinheiro que entra no clube estamos acertando muitos compromissos. Todo dinheiro que entrou, uma parte podemos pensar em reforços, mas temos outras responsabilidades também. O dinheiro é do Palmeiras, aí vamos determinar de forma responsável a melhor maneira de administrar essa verba.

Vendas recentes
– São oportunidades de mercado que o clube tem de ficar atento ao desejo do jogador, ao plano de carreiro, aquilo que é bom para o clube e para o jogador. Todas as partes têm de ser contempladas nesse momento. Os jogadores que deixaram o Palmeiras tinham esse desejo, a negociação foi favorável para eles e para o clube. Entendemos que era o momento de fazer.

Mais saídas?
– Temos um elenco muito forte, grandes valores, são jogadores importantes e que interessam muito, principalmente para Europa e Ásia. Existem propostas, sim. Mas nosso objetivo é que os jogadores permaneçam. Temos três grandes desafios (Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores) e queremos chegar, temos todas condições de chegar. Todo esforço que o Palmeiras puder fazer nós faremos

Administração
– Nos últimos três anos o Palmeiras triplicou o faturamento. Em 2013, faturou ao redor de R$ 180 milhões e neste ano existe uma possibilidade grande de faturar próximo de R$ 600 milhões. Em seis anos triplicou o faturamento. Hoje o Palmeiras tem patrimônio líquido positivo, quitou as dívidas com fundos e bancos, paga em dia e vive uma situação que nos possibilita trabalhar com tranquilidade. Nós temos o respeito do mercado, nos últimos 12 meses recebemos prêmios de performance e de gestão de excelência. Isso nos dá muita tranquilidade quando a gente trata qualquer assunto no Conselho Deliberativo e no Conselho de Orientação e Fiscalização, ou junto aos nossos associados. Nosso trabalho é muito responsável.

Rejeição das contas de janeiro
– O COF optou por rejeitar as contas de janeiro, alegando os contratos com a Crefisa. Eu posso garantir aos palmeirenses é que não houve nenhuma irregularidade, temos auditoria interna e externa, os contratos foram avaliados pelo nosso departamento jurídico e financeiro. Não faço as coisas sozinho no clube. Eu apresentei detalhadamente ao COF, mesmo assim acharam por bem rejeitar as contas. Importante falar que nessa operação temos os jogadores, que são os ativos. Temos como pagar os contratos ao longo do tempo. Tudo isso foi tratado com muita seriedade e transparência, mas acharam que deveriam rejeitar as contas. Eu não concordo, mas respeito. Continuo com a minha convicção que estamos fazendo o melhor para o Palmeiras e temos condições de pagar esse contratos.

Mudança no estatuto
– A mudança para três anos de mandato é importante para a administração do clube. Este ponto é fundamental. Falamos muito de nome, mas o importante é o Palmeiras. Os maiores clubes do Brasil e do mundo têm três anos ou mais de mandato, para que você possa montar sua diretoria, implementar seu plano de trabalho e dar continuidade. Com dois anos você trabalha o primeiro e entra em clima político no segundo, não é saudável para o clube. Acredito que o associado também pense dessa maneira. Quando a gente avalia as equipes que têm tido maior sucesso em termos de performance esportiva e administrativa você vê que o presidente tem um período maior para trabalhar.

Alteração válida para a eleição de 2018
– O fato é que não estamos prorrogando a minha gestão. A minha gestão termina no fim do ano, temos uma eleição em novembro. Primeiro que não está definida a minha candidatura, segundo que ninguém sabe quem será o próximo presidente. Quando eu digo que essa alteração estatutária é saudável para a administração é para o gestor, que pode ser o Galiotte ou outro. Vai depender das urnas. Como não sabemos quem vai ser o candidato que vai ganhar, não é para A ou para B, é para o Palmeiras.

Interferência externa na final do Paulistão
– O assunto está muito vivo. Ficou claro para o Palmeiras que tanto Federação Paulista quanto Tribunal de Justiça Desportiva usaram todos subterfúgios processuais para não julgar o caso. O Palmeiras fez um trabalho muito profundo, temos muitas provas e contradições que em nenhum momento foram julgadas. Nosso processo foi engavetado em sete dias. Primeiro disseram que perdemos o prazo e não perdemos, depois disseram que tinham taxas e não tem nenhum tipo de taxa. O que fizeram ali foi um árbitro de vídeo particular para uma jogada. Não aceitamos isso. Não aceitamos que pisem na camisa do Palmeiras, nem FPF, nem TJD, nem ninguém. Nosso compromisso é com o torcedor palmeirense, com a nossa história. Vamos defender isso custe o que custar. Nosso próximo passo é o processo no STJD, vamos solicitar que a Justiça seja feita porque claramente houve um erro de direito. Não podemos deixar como está.

Excursão para o Panamá
– Quando pensamos em sair do Brasil pensamos em alguns fatores que nos motivaram a isso. A integração dos atletas foi um deles. Hoje eles têm 24 horas juntos, no café da manhã, treinamento, almoço, jantar... Isso faz com que a gente busque uma integração maior, uma unidade para o grupo. Precisamos estar muito juntos e unidos para vencer os desafios. Tenho falado muito com a diretoria de futebol, com a comissão e até com alguns atletas, que o Palmeiras tem de se fechar. Para vencer precisa disso. Temos potencial e precisamos de uma unidade também. Aqui temos totais condições de trabalho, infraestrutura, academia, campos, estádios, hotel fantástico, alimentação regrada. Esse equilíbrio é o que a gente buscou no Panamá.

5442 visitas - Fonte: Globoesporte.com

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