O Palmeiras abriu os portões da Academia de Futebol para iniciar o seu rústico laboratório de intertemporada, mas uma ausência de peso chamou a atenção no gramado. O técnico Abel Ferreira não se apresentou com o elenco. A diretoria alviverde confirma que concedeu um aval humano e estratégico para o comandante estender o seu período de descanso na Europa. Com isso, os auxiliares João Martins, Vítor Castanheira, Carlos Martinho e Andrey Lopes assumiram a bronca e conduzem os primeiros trabalhos físicos sem a supervisão direta do chefe.
A decisão do treinador de esticar o recesso em Portugal faz parte de um plano de desconexão mental ríspida. Abel admite nos bastidores a necessidade de se afastar dos holofotes e manteve sua rotina familiar sob total sigilo. A sua última aparição pública ocorreu em um evento beneficente em Lousada, onde palestrou para estudantes. Embora a cúpula do Palmeiras evite cravar uma data exata para o retorno do comandante aos treinos, a expectativa é de que ele desembarque em São Paulo nos próximos dias para reassumir as rédeas do futebol.
A diretoria avalia que, neste primeiro momento focado puramente em exames clínicos e recondicionamento rústico, o acompanhamento do técnico não é crucial. O elenco reage contra as sequelas de uma maratona humana e asfixiante que explodiu o departamento médico: foram quase 20 jogos em apenas 60 dias entre abril e maio. O calendário espremido encurtou o recesso tradicional, gerando um sério impasse sobre a integridade física do grupo. Mesmo diante do cansaço visível, o primeiro semestre foi impecável, coroado com o título do Paulistão e com o time voando no topo do Brasileirão, da Copa do Brasil e da Libertadores.
Agora, a comissão técnica tem em mãos um raro intervalo de quase um mês livre para desenhar novas engenharias táticas. Com o planejamento do ano em jogo, o foco total é recuperar os atletas fisicamente antes que a engrenagem volte a moer. O Palmeiras só volta a campo de forma oficial no dia 23 de julho, quando desafia o Coritiba no Couto Pereira. Cada gota de suor na Academia servirá de combustível para sustentar a intensidade rústica exigida pelo clube, que entra na metade decisiva da temporada cobrando a manutenção de sua hegemonia no futebol sul-americano.
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