Fama e Paixão: o sangue Verdão de Jayme Matarazzo corre como herança

13/10/2015 15:28

Fama e Paixão: o sangue Verdão de Jayme Matarazzo corre como herança

Ator descobre amor pelo Palmeiras aos cinco anos ao ouvir histórias do avô que sua família de imigrantes italianos ajudou a criar o clube e a construir o Palestra Itália

Fama e Paixão: o sangue Verdão de Jayme Matarazzo corre como herança

Jayme Matarazzo aprendeu a torcer pelo Palmeiras aos cinco anos de idade influenciado pelo avô. (Foto: Iris Correia)





O verde dos olhos de Jayme Matarazzo ganha mais força à medida que conta sua história de amor com o Palmeiras. Nesse caso, a coincidência faz todo sentido. O ator da TV Globo, cujo último trabalho foi na novela das 18h "Sete vidas", encerrada em julho de 2015, tem o sangue bem verdão a correr nas veias: a paixão pelo clube surgiu como herança da sua família de imigrantes italianos que chegou ao Brasil fugida da Segunda Guerra Mundial.



- A família Matarazzo tem uma importância na formação e no surgimento do time que é incrível. Até porque o Palestra Itália surgiu com imigrantes italianos trabalhadores das indústrias Matarazzo, ali perto de onde era o nosso estádio, o velho Palestra Itália, agora onde é a Arena.



Para entender melhor a paixão do ator de 29 anos, é preciso montar a árvore genealógica de sua família. Jayme é neto da cantora Maysa, uma das personagens mais importantes do cenário musical brasileiro da década de 1960. Em 1956, Maysa casou com André Matarazzo, herdeiro da rede de indústrias italiana, e teve com ele um único filho: Jayme Monjardim Matarazzo, o diretor de novelas da TV Globo e pai de Jayme Matarazzo. Apesar da ligação óbvia com o Palmeiras, o diretor se deixou levar pelos encantos de Pelé e optou por torcer pelo Santos.



No fim da década de 80, Jayme casou-se com a produtora Fernanda Lauer, uma paulistana que torcia para o Palmeiras. Foi após a separação do casal, em 1990, que Fernanda se mudou com o filho para São Paulo para ficar mais perto da família. Seu pai, Waldemar Lauer, não era um Matarazzo. Mas o sangue que corria em suas veias ficou verdão conforme o amor pelo time ia aumentando.



- Meu avô sempre foi um cara muito ligado ao futebol e um historiador. Sempre foi atrás de histórias do futebol, leu muito, estudou e, é claro, sabia de todos os detalhes para me contar. Em pouco tempo eu conhecia muito, não só por historicamente fazer parte da minha família, mas pela paixão que o meu avô demonstrou ter pelo clube.



Quando saiu do Rio, Jayme Matarazzo tinha simpatia pelo Vasco, mas, ao chegar à Terra da Garoa, seu avô Waldemar tratou de incluir na rotina do neto idas ao Palestra Itália, troca de figurinhas e reuniões de família onde o assunto principal era o Verdão. Era impossível não se contagiar com o amor que emanava de seu Waldemar.



Como começou a sua paixão pelo Palmeiras?



Eu sou nascido no Rio e fui para São Paulo com cinco anos quando meus pais se separaram. Meu avô sempre foi um fanático, e meus primos já eram palmeirenses. Quando eu cheguei do Rio com um apego pelo Vasco, que era o time que eu tinha escolhido para torcer, mas ainda sem nenhuma influência. Em pouco tempo, meu avô e meus primos me apresentaram ao Palmeiras. E me apresentaram me contando um pouco da história da minha família com o meu time, que é uma história muito grudada.



Onde as histórias se cruzam?



A família Matarazzo tem uma importância na formação e no surgimento do time que é incrível. Até porque o Palestra Itália surge com imigrantes italianos trabalhadores das indústrias Matarazzo, ali perto de onde era o nosso estádio, o velho Palestra Itália, agora onde é a Arena. Ali era muito próximo dessas indústrias.



E quem contou essas histórias para você?



Meu avô. Ele sempre foi um cara muito ligado ao futebol e um historiador. Ele sempre foi atrás de histórias do futebol, leu muito, estudou muito sobre futebol e, é claro, sabia de todos os detalhes para me contar. Então foi ele que começou a me contar a história da minha própria família. E depois eu fui descobrir que meu bisavô, o Francisco Matarazzo, foi um cara que doou parte do investimento, pagou quase metade do terreno que virou o Parque Antarctica. Fui descobrir que meu tio-avô, que era o Ermelino, apesar de ser um cara de uma família tradicional e muito rica, foi goleiro do Palmeiras, participava do clube como atleta e dirigente. Depois, um pouco mais velho, fui visitando a sala de troféus e toda a estrutura do estádio e fui vendo vários bustos dos Matarazzos, placas em homenagem, e fui tentando conhecer um pouco mais. Em pouco tempo eu conhecia muito não só por historicamente fazer parte da minha família, mas pela paixão que o meu avô demonstrou ter pelo clube.



Seu avô teve um papel crucial nessa escolha...



Meu avô foi um grande cara que me contagiou, foi o cara que me levou aos jogos. Dos meus cinco anos até os meus vinte e poucos, que foi quando eu voltei para o Rio de Janeiro, fui a todos os jogos que eu pude, frequentei estádio toda semana. E sempre com meus primos e meu avô.



Lembra qual foi o primeiro jogo que seu avô te levou?



Claro. Foi uma semifinal do Campeonato Paulista de 1993, quando o Palmeiras foi campeão. Eu lembro que estava muito cheio, muito lotado. No antigo Parque Antarctica sempre tinha uma aglomeração na frente do portão, é famosa essa aglomeração. E eu era um nanico, eu lembro que eu ficava no joelho de todo mundo, enfiado no meio daquela muvuca. O meu primeiro jogo foi muito difícil. Eu lembro de ainda muito pequeno até chorar com aquela confusão; de ficar apavorado, mas, depois, me encantar pelo Palmeiras e pelo estádio. Até que aquilo ali virou a minha segunda casa. Quando eu aprendi a dirigir, era o único lugar que eu sabia ir. Se me soltassem na rua em São Paulo, eu só saberia voltar para a casa do meu avô ou para o estádio.



Jayme com o avô Waldemar, que não era Matarazzo mas sabia das histórias da família com o Verdão (Foto: Iris Correia)



,

Tinham uma rotina de “ir para casa”?Sentavam em algum lugar especial?



Nós sempre tivemos superstições. Como eu era muito pequeno, fazia um santuário do Palmeiras na sala estendido na frente da TV, deixava as coisas ali e ia para o jogo. Antigamente, no Parque Antarctica, você tinha livre acesso para fazer a circunferência do estádio. Então, a gente sentava em dois lados. Quando o Palmeiras atacava para o lado do escudo, a gente ficava nessa linha. No segundo tempo, a gente mudava de posição. Minha avó tinha três pequenos budas, um de cada cor, e era o nosso amuleto da sorte, a gente levava no bolso. Pelo menos duas vezes por semana a gente ia lá, e a minha avó que levava, e, depois, voltava para buscar. Aquele era o nosso programa de família.



Qual foi o seu jogo mais especial?



Claro, o da final da Copa do Brasil: Palmeiras x Curitiba (2012). Fui para o estádio sozinho e recebi um dos maiores presentes da minha vida. Eu tinha um amigo na CBF, e, no fim do jogo, ele me entregou uma credencial e falou “Você vai dar a volta olímpica com os caras.” Eu não entendi nada, mas, quando caí em mim, os jogadores e o Felipão estavam juntos comemorando e eu não sabia o que fazer. Aí eu invadi o campo e fui comemorar com eles. Só depois percebi que estava sendo filmado. Eu tentei me disfarçar porque, na época, estava fazendo “Cheias de charme”, tinha um bigodinho, a novela fazia muito sucesso. Coloquei uma toca, fechei o casaco até em cima, mas as pessoas me reconheceram. No dia seguinte, vi minha imagem em todos os jornais. Mas eu fiquei muito feliz .



E o que mais o marcou por ter visto em família?



Eu me lembro de alguns. Palmeiras x Vitória, que foi um título brasileiro que a gente ganhou em 1993. O Palmeiras estava na fila há algum tempo. Já tinha ganhado o Campeonato Paulista, mas não conquistava um brasileiro há 17 anos. Foi um jogo lotado, o Morumbi tinha mais de 100 mil pessoas, e naquela época cabiam quase 90 mil. Essa foi a primeira vez que eu vi o Palmeiras campeão. Então, esse foi um jogo que me marcou muito.



Esse ingresso você guarda até hoje?



Eu devo ter em São Paulo, nas coisas do meu avô. Com esses aqui, não tenho. Muita coisa eu dei para os meus primos, a gente guarda em coletivo.



E qual desses ingressos não pode perder por nada?



O da final contra o Coritiba, que eu dei a volta olímpica no estádio junto com eles. Não! Eu tenho um da final do Paulistão de 1993, contra o Corinthians no Pacaembu. Ganhamos de 4 a 1. Esse eu não posso perder por nada.



Por que ele é o precioso?



Porque foi em cima do Corinthians, nosso arquirrival. Esse foi um jogo inesquecível que até hoje cantamos nos gritos de torcida. E eu posso dizer que eu estava lá.



São muitos ingressos. Algum outro especial?



O ingresso da abertura da Arena. Foi muito emocionante mesmo o placar tendo sido 2 a 0 para o Sport em um Campeonato Brasileiro em que a gente brigava para não ser rebaixado. Era a abertura do nosso estádio, e esse ingresso eu vou guardar com carinho



Qual a derrota que prefere esquecer?



A da Mercosul contra o Vasco. O Palmeiras foi para a final com a vantagem do empate e estava ganhando no primeiro tempo por 3 a 0. Todos na arquibancada já estavam comprando faixa de campeão. De repente, um tal de Romário resolveu entrar para jogar. E ele me faz três gols e o Juninho, um. Foi uma das derrotas mais doídas pela forma como aconteceu. A torcida gritava com tanta certeza que era campeã no intervalo... Essa é para esquecer.



Quando começou a colecionar esses ingressos?



Desde sempre. Desde moleque que eu junto.



Eles ficam dentro dessa caixa. Desde quando faz essa caixa de guardados?



A minha avó sempre incentivou a gente a brincar de fazer artesanato, porque ela mexia com isso. Ela ensinou a gente a fazer uma caixa com as figurinhas do álbum do Palmeiras que a gente colecionava. E a gente fez umas caixas lindas e plastificou com cola branca para fixar. Desde que ela montou essa primeira caixa, quando eu tinha seis anos, eu guardo tudo nessa caixinha. Agora eu troquei para essa de madeira porque achei muito bonitinha. Mas esse foi o começo da nossa coleção.



O que guarda dentro dela?



Faixas de campeão, bandeiras, medalhas, fotos, a luva do Marcão...



Ele é seu maior ídolo?



Ele é o nosso grande ídolo, o maior ídolo da minha geração e meu também. Jogava muito.



O que mais tem aí?



Eu guardo uma camisa autografada dele. São muitas lembranças minhas e dos meus primos. Eles entraram na onda quando minha avó fez a caixa e começamos a trocar as coisas. Um dava o ingresso que o outro queria. O outro pedia uma faixa, e assim a gente ia revezando e montando cada um a sua coleção.



E como conseguiu ficar com a carteirinha de sócio do seu avô? Como conquistou esse leilão?



Deve ter dado um lance muito alto. Esse foi uma disputa grande entre os primos. Mas foi meu avô quem me deu. Ele olhou e disse: “Este é seu.”



Era a sua herança?



É que ele deu para os meus primos as outras cadeiras cativas que tinha no Morumbi ainda em vigência. A deles tinha um valor real, e essa era apenas uma recordação. Cada um ficou com um e eu peguei essa. Eu até tive que tirar do quadro para trazer, está enquadrada.



Enquadrou só a carteirinha?



Eu também tenho enquadrada a minha primeira camisa que eu tive do Palmeiras quando eu tinha cinco anos.



E fora dos quadros, quantas camisas você tem?



Essa é a minha coleção de camisas que eu venho juntando desde 1990. Eu diria umas 300 e poucas, esse é um dos meus vícios. Eu tento ter duas de cada ano.



Essa é uma forma de manter seu avô vivo com você?



Acho que sim. Sempre que o Palmeiras está jogando eu penso no meu avô. Sempre que eu preciso fazer uma fezinha, eu peço para ele olhar pela gente e trazer a vitória. É uma forma de estar em contato com ele, de a gente se lembrar dele. Então, sempre que o Palmeiras ganha, eu tenho uma conversa com ele, agradeço por estar olhando. É uma relação de lembranças que são importantes para um cara que foi um grande pai para mim.

Foi quem te formou...



É um dos grandes responsáveis pela formação do meu caráter. Foi um grande pai nessa época, porque eu morava longe do meu pai. Ele morava no Rio e eu estava em São Paulo.



Seu pai não te influenciou em nada na hora de escolher seu time?



Ele gosta de futebol, mas não é da paixão. Meu pai parou no tempo. Ele ainda está na época do Pelé. Ele é santista, não palmeirense.



Ele ficou frustrado por não ter seguido o time dele?



Não, pelo contrário.

É muito engraçado, porque seu pai é o Matarazzo. Não seu avô, que era o pai da sua mãe.

Pelo histórico da família, eu não consigo entender como meu pai foi na contramão e virou santista, não é palmeirense. Acho que ele viu de perto essa época de Pelé, e, assim como muitos brasileiros, aderiu ao Santos na época.



O que está faltando para você ver do Palmeiras?



Está faltando um título internacional. Está faltando esse mundial recente, apesar de a Fifa ter reconhecido o Palmeiras como campeão mundial de 1951, um título que, na época, era disputado nos mesmos moldes do Campeonato Mundial de hoje. Acho que é isso que está faltando.



E é isso que falta presenciar?



Acho que sim, a gente chegou muito perto em nossa fase áurea e eu não pude ir para o Japão nessa época. Acho que falta esse título mundial e, do jeito que as coisas andam, está perto.


15261 visitas - Fonte: Globoesporte

Mais notícias do Palmeiras

Notícias de contratações do Palmeiras
Notícias mais lidas

Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!

Enviar Comentário

Para enviar comentários, você precisa estar cadastrado e logado no nosso site. Para se cadastrar, clique Aqui. Para fazer login, clique Aqui ou .
publicidade