Guardiola está em sua terceira temporada no Bayern
Nove vitórias em nove jogos, 29 gols marcados e apenas quatro sofridos. O gol de Thomas Muller, aos 23 minutos do primeiro tempo, no sábado, contra o Werder Bremen, deu ao Bayern de Munique de Pep Guardiola o triunfo por 1 a 0 e mais um recorde na conta de clube e treinador: é o melhor início de um time na história da Bundesliga, superando o próprio Bayern, de Jupp Heynckes, que parou em oito, em 2012/13.
Os 27 pontos dão aos bávaros a melhor campanha entre todos os líderes das principais ligas europeias até aqui. A terceira temporada na Alemanha de Guardiola, já bicampeão nacional, começa de forma avassaladora. O início na Liga dos Campeões também é 100% em dois jogos. Desta vez haverá algum espanhol no caminho de Pep para pará-lo na semi da Liga, como aconteceu diante de Real Madrid e Barça nas últimas temporadas?
Guardiola dá resultado, claro! E muito mais do que isso. A primeira temporada do catalão em Munique, dissecada por Marti Perarnau, no livro que ganhou tradução para o português pela editora Grande Área (“Guardiola Confidencial”), também começou com recordes sendo triturados, e título alemão. Terminou com um 4 a 0 humilhante, em casa, para o Real, naquela que é considerada a pior derrota da carreira do treinador. Lá, como cá, acreditem, criticou-se, e muito, aquele que senta no banco de reservas por conta do... Resultado! Nem o gênio Guardiola está imune a isso, nem o gênio Guardiola nega que o que sustenta um técnico em seu cargo são os resultados. Mas o que faz um clube ir além é a sua convicção. Por que ele foi contratado?
No livro, o ex-jogador e hoje diretor do Bayern, Karl-Heinz Rummenigge, dá uma aula. Primeiro, lembra do jogo de ida daquela semi, com derrota por 1 a 0 para o Real Madrid. “A tática de Pep no Bernabéu foi criticada de forma injusta, porque jogou como sempre fizera, querendo a bola. Só que não marcamos um gol. Se tivéssemos jogado igual e feito um gol, Pep e o Bayern seriam fabulosos e geniais. Como não marcou, fracasso! Não, o problema que vejo na Alemanha é que geralmente o alemão não pensa muito em tática. Tem uma visão do jogo que é muito física, direta e veloz – e isso já basta. Mas o futebol é muito mais. Há um motivo para termos vencido o Alemão com tanta vantagem. O motivo é Pep. E ponto final”, diz o alemão.
O técnico, e Rummenigge, concordam que a catástrofe da volta se deu pelo fato de Guardiola ter abdicado de suas filosofias, despovoando o meio de campo por conta da euforia dos atletas para buscar a virada. “É verdade que quando se toma 4 a 0 em casa as pessoas se decepcionam e a imprensa começa a criticar, mas, na minha opinião, não devemos dar muita importância.
O importante é ter uma visão global da temporada”. O Bayern ganhou uma Copa da Alemanha semanas depois e outra Bundesliga em 2014/15. Hoje, desponta como o melhor europeu em ação. Será que em 2016 o ciclo de Pep em Munique se encerrará com a taça mais cobiçada do continente?
Você vai dizer que bancar Guardiola, no gigante, rico e forte Bayern, é fácil. Ainda mais no ano em que se foi campeão nacional. Sim, é! E aqui mesmo no Brasil já tivemos exemplos de dirigentes, até polêmicos, que tiveram visão além do resultado por conta de uma convicção, em contextos muito piores: vide Tite, pós-queda para o Tolima, bancado por Andrés Sanchez em 2011 antes de Tite se tornar o maior técnico da história do Corinthians.
Acreditar num trabalho, numa filosofia, é o que se vê pouco por aqui... Não vamos esquecer que o atual bicampeão brasileiro, Marcelo Oliveira, caiu no Cruzeiro neste ano por um fracasso continental, em casa, "à Bayern-2014". Descarta-se técnicos como quem troca de roupa também porque se contrata de qualquer jeito. “A diferença entre sucesso e fracasso é mínima, pode depender de um pênalti que não foi, de um pequeno erro, da perda de um jogador valioso por lesão“, analisa Rummenigge.
O Bayern tem um gênio no banco. Um gênio que ganhou muito, mas também perde. Perde um jogo, não perde suas convicções. Mesmo sem gênios por aqui, podemos e somos capazes de ir além do “ganhou, é bom; perdeu, é ruim” que ainda prevalece.
Em campo, o que também se espera é ver treinadores indo além da mesmice. Arriscando, melhorando, inovando. “Não vivo da confiança de dirigentes, mas da confiança dos jogadores. E essa tem de ser renovada todo dia”, afirma Guardiola. Pep vai dando sua aula...
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