Dudu se esgoela e quase rasga a camisa após marcar contra o Corinthians (FOTO: Cesar Greco/Palmeiras)
Ele pede "pelo amor de Deus" para que o companheiro faça o gol, não tem medo de enfiar a cabeça em uma bola chutada com muita força, irrita os rivais, chega a vomitar em campo de tanto esforço e se esgoela ao comemorar.
Este é o pilhado e intenso Dudu, que tenta apagar de vez desta lista a fama de indisciplinado e ascrescentar a ela a de campeão. Às 22h de hoje, contra o Fluminense, no Maracanã, começa a luta para levar o Palmeiras à final da Copa do Brasil.
- Esses são os jogos bons de se jogar, jogos que todos estão olhando, jogos em que a torcida se empolga - diz o camisa 7, sobre mata-matas.
Em 2014, pelo Grêmio, ele chamou a atenção ao juntar as mãos e implorar a Deus para que Barcos empatasse o jogo de ida contra o San Lorenzo, na Argentina, pelas oitavas de final da Libertadores. Na volta, em Porto Alegre, não teve medo de escorar de cabeça um chute violento de Rodriguinho para balançar a rede.
- É a vontade, né? No lance do Barcos a gente precisava fazer o gol e era uma chance muito clara, mas ele não fez. Na volta, consegui fazer um gol e levamos a partida para os pênaltis, mas infelizmente a gente perdeu. Depois do jogo fiquei uns dois dias com o pescoço doendo, mas dentro de campo a gente tem que se transformar e estar disposto a tudo - lembrou o atacante, ao LANCE!.
É nesses "jogos bons de se jogar" que Dudu tem conquistado a torcida do Palmeiras. Ele converteu sua cobrança na disputa de pênaltis que eliminou o Corinthians na semifinal do Paulistão, em Itaquera, e deixou sua marca contra o rival nos 3 a 3 do Brasileirão. Contra o São Paulo, roubou a cena na vitória por 3 a 0 do Paulistão, com direito a cavalinho em Edson Silva. Nesta Copa do Brasil, foi o melhor em campo contra o Internacional, nas quartas de final.
- Aqui no Palmeiras não estou sendo diferente do que era no Grêmio. Vejo a torcida sempre lotar a arena, onde a gente vai tem muitos torcedores, e eu sempre estou com vontade de ganhar. Quero sempre vencer para deixar os torcedores felizes e também para chegar para treinar com todo mundo feliz - avisou.
Mas foi também em um mata-mata que ele viveu seu pior momento pelo clube. Na final do Paulista, contra o Santos, perdeu pênalti na ida e foi expulso na volta, com direito a empurrão no árbitro e longa novela no STJD, que acabou com a pena de 180 dias reduzida para seis jogos. A apreensão acabou servindo de ensinamento para o palmeirense, que jura estar se preocupando mais em jogar do que em contestar os árbitros.

Dudu posa para o LANCE! na Academia de Futebol (FOTO: Ale Cabral)
- Sempre que o juiz não dá a falta, procuro erguer a cabeça e partir para a outra, não ter esse problema de ficar reclamando. Partiu de mim, e todos aqui no Palmeiras falaram. O Marcelo, a comissão e os jogadores falaram para não ficar reclamando muito e focar mais no jogo, porque quando a gente está focado a gente desempenha melhor - contou.
Passada a tempestade, Dudu consolidou-se como destaque. Com 12 gols e 12 assistências, é o atleta mais efetivo da temporada alviverde, além de viver o melhor ano da carreira. Falta a taça. Por enquanto...
Confira a entrevista completa com Dudu:
Você costuma elogiar muito a torcida do Palmeiras. É a que mais te chamou a atenção na carreira?
Ah, acho que sim. A torcida do Grêmio também é boa, mas a do Palmeiras é diferente, é melhor, é maior, mais apaixonada, vai mais no estádio, apoia mais seus jogadores. Estou muito feliz aqui no Palmeiras e espero ficar aqui os quatro anos de contrato.
Na Ucrânia era muito diferente a relação com os torcedores?
Lá o pessoal nem liga muito. Eles vão no estádio, apoiam o time, mas aqui é diferente. No Brasil, ainda mais aqui no Palmeiras, o torcedor é muito apaixonado. A gente está correspondendo dentro de campo, mas poderia estar melhor. Vamos fazer de tudo para conquistar essa Copa do Brasil e a vaga na Libertadores do ano que vem.
Você é muito assediado na rua?
Esses dias fui no shopping e muitos torcedores pararam para tirar foto comigo. Fui com meus filhos no Dia das Crianças e eles pararam para tirar foto até com meus filhos. Fico muito feliz com o carinho que eles demonstram por mim aqui e espero retribuir tudo isso ajudando o Palmeiras em campo.
Com 12 gols e 12 assistências, você é o jogador mais efetivo do Palmeiras no ano. É a melhor temporada da sua carreira?
Acho que sim. É o ano com mais gols, com melhor aproveitamento, em um grande clube. Espero fazer mais neste ano e, ano que vem, com os objetivos alcançados, fazer mais ainda.
Você marcou oito gols em 2014, no Grêmio. Neste ano, já superou a marca com muita antecedência. O que mudou do Dudu do Grêmio para o Dudu do Palmeiras?
O do Palmeiras faz mais gols, é mais participativo, pegou mais um pouco de experiência. Estou aproveitando bem esse ano aqui no Palmeiras.
Você tem se mostrado mais disciplinado, mas levou um cartão amarelo injusto contra o Corinthians, por exemplo. Acha que ficou marcado pelo Paulistão?
Não sei, isso é deles, a gente joga a responsabilidade para eles. Todos viram que naquele lance eu não fiz nada, nem reclamei para ele ter me dado o cartão, mas é tranquilo. Os juízes fazem a parte deles e a gente tem que fazer a nossa, procurar não ficar conversando e reclamando.
O que você diria ao torcedor nesta reta final de ano?
Que vão ao estádio, apoiem, cantem, gritem e joguem com a gente. Eles são a nossa força. Tenho certeza que os jogadores estão lutando para levar esse clube para o lugar que merece.
52080 visitas - Fonte: Lancenet!