À frente da Liga Sul-Minas-Rio, Alexandre Kalil rejeita rótulo de líder. "A Liga é um barco em que todos os clubes querem pular dentro", diz ele.
Sempre simpatizei com Alexandre Kalil, ainda que à distância (pois até sábado passado nunca havia falado com ele).
O polêmico ex-presidente do Galo e agora CEO da Primeira Liga (grupo criado por 15 clubes do Sul do Brasil, Minas Gerais e a dupla carioca Flamengo e Fluminense para organizar a Copa Sul-Minas-Rio) é um sujeito genuíno e franco, que diz o que pensa. Tanto que por conta de seu temperamento coleciona polêmicas, frases de efeito, brigas e disputas.
Com ele à frente, a Primeira Liga renova a esperança de muitos torcedores que sonham com um futebol brasileiro mais forte, organizado e independente dos senhores feudais que dominaram a cena nas últimas décadas. Tanto que a Liga assusta muitos dirigentes e o "establishment”. Mas Kalil rejeita o rótulo de líder desse movimento.
– Nada disso. Não criei a Liga, não sabia da criação da Liga.
Os líderes são os presidentes de clubes que a criaram. Eu fui apenas convidado a ser o executivo dela. Eles (presidentes dos clubes) é que decidem.
Inteligente e político, Kalil não quer os holofotes sobre sua cabeça.
– A mudança é inevitável e está acontecendo. A Liga está criada. Qualquer pessoa que estivesse no meu lugar faria o mesmo. Apenas tive a honra de ter sido convidado.
Para ele, o caminho está claro.
– O futebol brasileiro não deu certo, isso é fato. Então temos de ir atrás do que dá certo. Olhar quem faz as coisas direito e copiar. A Liga não é o melhor caminho, é o único caminho. Não no Brasil, mas no mundo. O mundo inteiro tem liga é esse é o caminho. Todos estão nessa trilha. Até o México tem liga – disse ele antes de falar sobre o projeto da Sul-Minas-Rio que está em andamento.
– Não queremos atropelar os Estaduais em 2016, mas para 2017 iremos fazer um calendário espetacular. Os presidentes dos clubes da Liga entendem, e eu concordo, que não há como evitar a realização do torneio em 2016 pois significa fincar o pé para fazer algo maior em 2017, ano em que haverá mais liberdade pois não há contrato firmado.
Segundo ele, os clubes não pensam em mudar o futebol. Só querem sobreviver.
– Não estamos preocupados em mudar nada. São 15 clubes que querem melhorar sua receita. É isso. Pois atualmente temos pobre tentando ajudar e salvar pobre. E isso não funciona. Ninguém melhora. Para conseguir ajudar, somente rico ajudando pobre.
Não adianta os grandes jogarem contra os pequenos. O público quer ver os grandes jogando contra os grandes e daí podemos melhorar toda a estrutura. Isso sim vira um produto atraente e um bom negócio.
E engana-se quem acha que Kalil desistirá facilmente diante dos obstáculos.
– Gosto de briga, não de guerrilha. Na briga você encara de frente e vai para o embate. O que algumas pessoas fizeram com meus filhos e minha família foi guerrilha. Isso é deplorável e não posso permitir.
Por fim, o que será que Kalil acha de ter sido o escolhido para representar esse movimento que pode mudar o futebol brasileiro.
– Sou um homem de mãos limpas e tenho orgulho disso. Tenho uma lista de serviços prestados ao futebol. Acho que as pessoas comprariam um carro usado de mim.
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