Mais do que o confronto de dois clubes com tradição no futebol brasileiro, o segundo jogo da semifinal da Copa do Brasil entre Palmeiras e Fluminense coloca frente a frente dois presidentes com estilos, idades e situações parecidas. Sem títulos de expressão desde 2012, Paulo Nobre e Peter Siemsen são parte de uma nova geração de dirigentes e lutam para que suas gestões coloquem alviverdes e tricolores, respectivamente, novamente no caminho das conquistas. A partida acontece nesta quarta-feira, às 22 horas (de Brasília), com transmissão da ESPN Brasil e do Watch ESPN.
Os dirigentes possuem algumas características em comum, que vão desde a fácil comunicação até o alto grau de nascimento. Andam bem vestidos, se comunicam com facilidade e encontram-se em uma difícil reestruturação dos times do coração. Logo, a vaga na decisão é ainda mais importante, já que para ambos é a última chance de conquista em 2015.
Além de advogado, Paulo Nobre (47 anos) é apaixonado por um esporte pouco popular no Brasil e de alto custo: o rali. Conhecido como "Palmeirinha", ele chegou a participar grandes competições, como o Mitsubishi Motorsport e o Rally Internacional dos Sertões. No entanto, as corridas ficaram de lado para que Nobre focasse apenas na equipe.
Peter Siemsen (48 anos), assim como o dirigente rival na Copa do Brasil, é advogado e adota um tom quase sempre ponderado em suas declarações públicas. Filho do renomado velejador Peter Dirk Siemsen, o atual presidente tricolor também vem de uma família rica e conceituada no Rio de Janeiro.
Em seu segundo mandato no Palmeiras, Paulo Nobre tenta conquistar pela primeira vez a Copa do Brasil. Eleito presidente em janeiro de 2013, logo após o clube conquistar o torneio nacional e cair para Série B do Campeonato Brasileiro, o dirigente chegou a investir dinheiro do próprio bolso para equilibrar as contas alviverdes. Até o fim de 2014, ele já havia emprestado R$ 180 milhões ao time do coração, que entrou em crise e começou a dar um resultado melhor dentro de campo apenas nesta temporada.
Enquanto isso, Siemsen já estava na presidência do Fluminense na última grande conquista: o Brasileirão de 2012. Diferente de Nobre, ele não colocou patrimônio pessoal no clube, mas atualmente vive uma situação similar a do rival desta quarta-feira. Os cariocas encaram uma grande reformulação desde que a Unimed deixou de patrocinar os tricolores.
As gestões de ambos também possuem outra similaridade: as polêmicas com rivais. Apesar de adotarem o estilo mais ajuizado nas declarações, os presidentes alviverde e tricolor tiveram desentendimentos pesados com outras equipes de suas cidades.
Nobre tem uma relação conturbada com o São Paulo, que chegou ao auge no primeiro semestre de 2014. O dirigente palmeirense não conseguiu acertar a renovação do atacante Alan Kardec e viu os são-paulinos contratarem o atleta, em uma transação que foi encarada como um "chapéu".
"O São Paulo foi extremamente antiético. Isso não é privilégio do Palmeiras. Se você perguntar a outros clubes, vão te falar o conceito do São Paulo. E isso acontece desde a base", declarou o presidente do Palmeiras na ocasião.
O "troco" veio em janeiro deste ano, quando o clube alviverde surpreendeu e contratou o atacante Dudu, desejo do rival do Morumbi após o fim da última temporada.
Enquanto isso, Siemsen não tem uma relação tão amigável com Eurico Miranda, presidente do Vasco. Os times cariocas passaram a se desentender em 2014, quando o Fluminense assinou convênio com o Consórcio Maracanã e incluiu uma cláusula que o permitia posicionar a sua torcida no local onde os vascaínos costumavam ficar.
Vale descarar que o clube cruz-maltino adquiriu o direito de escolher o local de seus torcedores por ter conquistado o primeiro título Carioca na Era Maracanã.
A situação entre os rivais ficou ainda mais complicada neste ano. O Vasco dava como certa a contratação de Ronaldinho Gaúcho, mas não conseguiu concretizar o acerto e viu o Fluminense fechar com o astro.
Quando terminar a partida da noite desta quarta-feira, apenas um dos presidentes vai seguir com chance de título em 2015 e dar continuidade ao processo de renovação de seus respectivos clubes.
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