O Palmeiras foi melhor por dezessete minutos, tempo suficiente para fazer dois gols e abrir a vantagem necessária, já que todo mundo sabia que o time iria sofrer um gol. A partir daí, o Fluminense foi posse de bola, o Palmeiras, pressa.
É incrível, como a bola bate no ataque e volta para a defesa. É como se a alma de Felipão ainda estivesse habitando o Allianz Parque. Ou os velhos times de Rubens Minelli, que não conseguiam nos anos 80 furar defesas adversárias com trocas de passes, o que fazia a torcida comemorar escanteios.
O erro do Palmeiras atual não é só a ligação direta, repetidas vezes criticada. É a falta de alguém com capacidade para saber a hora de tocar de lado. Exemplo disso foi a jogada do gol do Fluminense. Dudu recebeu o passe na intermediária defensiva e partiu em velocidade. É sempre assim, mesmo quando o time consegue fazer o primeiro passe com qualidade. Quando chega aos três meias, logo atrás de Lukas Barrios, é correria pura. Dudu arriscou a jogada profunda, errou o passe, ofereceu o contra-ataque e Gérson deixou Fred frente a frente com Fernando Prass.
Antes do gol de empate anunciado do Fluminense, o Palmeiras marcava certo em quase todos os setores. Quase, porque Scarpa é um jogador especial, que entende as circunstâncias táticas e as explora. Veja o desenho tático da partida aqui, abaixo:
Dudu dava o primeiro combate a Cícero. Mas Dudu não desarma, só cerca. O passe de Cícero era sempre limpo. Chegava aos laterais, porque os meio-campistas, Jean e Vinicius, eram bem marcados por Amaral e Matheus Sales — um talento!
Scarpa quebrava esse formato escapando da esquerda, sem perseguição de Lucas. Se o lateral o seguisse, abriria o corredor para Breno Lopes. Não dava.
No primeiro tempo, o Fluminense já esboçava a superioridade latente do segundo tempo. Não que o Palmeiras seja um time ruim. É um time sem o meio-campista que pense.
Vai fazer falta na final.
Mas há um ingrediente delicioso desses que o acaso promove ao futebol. O Santos pediu à CBF o adiamento do primeiro jogo decisivo. E isso pode permitir ao Palmeiras melhorar seu meio-de-campo, recuperar Arouca, talvez até Gabriel. Em 25 de novembro, o Palmeiras será mais forte do que a equipe que precisou dos pênaltis para chegar à decisão.
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