Por que o Palmeiras não monta um time feminino?

4/11/2016 10:34

Por que o Palmeiras não monta um time feminino?

Por que o Palmeiras não monta um time feminino?





A Sociedade Esportiva Palmeiras é octacampeã por equipes da Corrida de São Silvestre, mais conhecida prova do calendário do atletismo brasileiro. É também fundadora da Federação Paulista de Basquete, modalidade em que tem oito títulos estaduais entre os homens (além de um Brasileiro) e mais três entre as mulheres. A Federação Paulista de Futsal elegeu o Palmeiras, na virada para os anos 2000, o Campeão do Século XX no Futsal Brasileiro. Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a delegação alviverde tinha Gabriel Jesus no ataque do futebol masculino, mas também Sarah Nikitin, no tiro com arco, e Gui Lin, no tênis de mesa, tradição que começou em 1936 com os esgrimistas Ferdinando Alessandri e Miguel Biancalana, que foram a Berlim com uma camisa do Palestra Itália na mochila.





Você, palmeirense, torce para um clube gigantesco. Quando reforçamos o direito de respirar na Caraibas com a Turiassu (abraço, Paulo Castilho!) ou militar pela democratização do acesso à casa de shows compartilhada (alô, Mariah Carey!), falamos de uma sociedade esportiva dessa magnitude. Eu, apocalíptico quando penso na sustentabilidade do futebol-negócio (alguém apostaria em 1996 que, em 20 anos, o Canindé viraria anúncio de jornal?), vejo esse tamanho extra-futebol todo como grande garantia de grandeza do Palmeiras. Definitivamente, não torcemos para 11 camisas.





Futebol para mulheres





São três fatos novos a respeito da relação entre os clubes com futebol profissional e seus (na maioria inexistentes) quadros femininos.





Primeiro, o Profut (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro), sancionado em agosto de 2015 como uma forma dos clubes refinanciarem suas dívidas fiscais históricas junto à União, que exige enquanto contrapartida que a adesão seja acompanhada, entre outras coisas, de uma equipe feminina de futebol. O Palmeiras, único O assunto “times de camisa” sempre passeia pelas discussões das modalidades que não sejam o futebol. É questionável, inclusive, que um clube da Série A monte um time e já entre na elite da liga feminina, jogando alguém em atividade para a divisão de acesso. São também anos de parcerias que às vezes se resumem simplesmente ao empréstimo das cores e distintivos famosos, quando não projetos que vão e voltam, sem continuidade – o futsal do Santos, por exemplo, foi campeão da dificílima Liga Nacional com Falcão como sua maior estrela e encerrou o time no ano seguinte.





Por enquanto, as informações dão conta de que o Corinthians, atual campeão da Copa do Brasil em parceria com o Audax, deve apresentar um time próprio. Em recente entrevista do programa Dibradoras (ouça aqui), o técnico do projeto feminino do Santa Cruz afirmou que tem como meta um orçamento de R$ 40 mil mensais para a equipe. Pode ser outro a buscar um lugar.





Flamengo, América-MG, Vitória e Santos são outros times da elite masculina que jogaram o Brasileiro feminino de 2016. A Chapecoense jogou a Copa do Brasil.





Grana e o Palmeiras





Para efeito de exercício, vamos jogar um pouco para cima a expectativa de R$ 40 mil/mês do profissional do Santa Cruz. Digamos, até para facilitar as contas, que o futebol feminino poderia exigir R$ 1 milhão/ano ao Palmeiras.





Em agosto, o lucro da Sociedade Esportiva Palmeiras foi de R$ 77,8 milhões, sendo R$ 78,5 milhões de saldo no Departamento de Futebol, muito em razão da venda de Gabriel Jesus ao Manchester City. O clube social deu lucro de R$ 1,8 milhão, e os outros esportes deram prejuízo de R$ 2,5 milhões.





Será que existe um trabalho para viabilizar essas modalidades? Ou então não interessa a ninguém patrocinar e cobrir o boxe, o tênis de mesa ou outros atletas da Sociedade Esportiva Palmeiras?





O basquete do clube, que chegou à fase final do NBB, o Campeonato Brasileiro, e caiu nas oitavas de final em 2015, custava cerca de R$ 2,5 milhões/ano. O Palmeiras, sem time adulto atualmente, está disputando uma divisão de acesso do Campeonato Paulista com a equipe sub-19.





O futsal profissional encerrou as atividades em julho de 2013. O presidente Paulo Nobre, à época, disse que queria economizar gastos com esportes fora do futebol. No ano passado, surgiu a notícia de que Falcão, gestor e jogador de Sorocaba, teria conversado com o Palmeiras para fazer uma parceria. A ideia teria sido vista com bons olhos pelo alviverde. Camisa do Palmeiras e jogos em Sorocaba. Para mantermos a reflexão financeira, o futsal do São Paulo, em parceria com São Bernardo, custava R$ 1 milhão de salários/ano, segundo esse texto.





Só faltava essa: a Sociedade Esportiva Palmeiras, do "melhor estádio do Brasil", do "melhor negócio de arena da história do país", ter seu futebol de salão jogando a 100km. O Parque Antártica é de quem? Sintomático.





Se a Crefisa paga R$ 58 milhões ao Palmeiras, não há mesmo um patrocinador interessado em pagar 2% disso para um time de futebol feminino? Não dá para dedicar uma porção da bilheteria do Allianz Parque, cuja renda média em 2016 está em R$ 1,6 milhão, ao time das mulheres? Aliás, repito, a sede deveria ser todos, não só dos homens que jogam futebol profissionalmente.





Não me entra na cabeça que o problema é financeiro. Não é. Patrocinador gigantesco, sócio vendendo o almoço para pagar o Avanti na janta, valor médio de ingresso de R$ 60 (!) em jogo contra o São Bernardo, torcida consumindo até terceiro uniforme de camisa de treino de goleiro. Falta vontade.





E, ah, como o presidente gosta de ver a conta fechar, o Campeonato Brasileiro de futebol feminino oferecerá, via CBF, R$ 10 mil por jogo para o mandante, enquanto o visitante leva R$ 5 mil para extras, já que a logística será custeada. O campeão leva R$ 120 mil.





Enfim, está na mão do Palmeiras. É muita grandeza para se ausentar desse debate. E muito dinheiro rolando para se lamentar em tabelas de Excel.





(Outra: o aluguel do Pacaembu para jogos diurnos está em R$ 70 mil. Um público de 4,6 mil pessoas pagando R$ 15 dá conta. Eu iria.)



dos grandes a não aderir, justificou oficialmente como uma avaliação contábil e financeira – o clube acredita que a dívida está controlada e será paga num prazo previsto -, mas reportagem da ESPN afirma que as contrapartidas pesaram, como limite salarial e ingresso barato. Segundo, o novo regulamento da Conmebol, divulgado em setembro deste ano, aponta que os clubes terão obrigação de manter uma equipe feminina para participarem das competições continentais masculinas a partir da edição de 2019. E, terceiro, o novo Campeonato Brasileiro feminino, divulgado nesta terça-feira (01/11), que terá seis vagas reservadas para clubes da Série A do Brasileiro (masculino) 2016 que montarem seus quadros.






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O Palmeiras tem que montar um time feminino

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Sem dúvida nenhuma.... Palmeiras deveria manter um Time de Mulheres pela grandeza que tem!

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Verdade. O Palmeiras pode e deve participar também. Somos um clube multidesportivo e temos que deixar nossa marca no futebol feminino.

palmeiras e gigante !!!!!!!

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