Que a força da torcida que lotou Congonhas nos empurre em BH
Você acredita em coincidências? Eu não.
Não é por acaso que o Palmeiras pode ficar muito perto do título do Brasileirão hoje, dia 17 de novembro, exatos 14 anos depois do pior dia de sua história. Uma vitória diante do Atlético, no Independência, nos deixará muito perto do eneacampeonato, do fim do jejum de 22 anos sem o título brasileiro, de realizar o sonho de mostrar que, sim, somos capazes de vencer um campeonato em pontos corridos, a fórmula que supostamente premia organização, elenco, planejamento etc etc etc.
Eu me lembro de cada um dos meus passos naquele 17 de novembro de 2002. Onde estava a cada momento, onde vi cada pedaço daquele suplício contra o Vitória, do sentimento de vazio após o quarto gol deles, da euforia agônica e inútil após o terceiro gol. Do absoluo desconcerto ao apito final. "Caiu."
De lá para cá o Palmeiras alternou momentos de euforia e agonia, mais estes do que aqueles, ainda que cada segundo de euforia tenha justificado nosso amor. Vieram o título da Série B, a sensação de "agora vai" interrompida em 2004, a reação fulminante das últimas rodadas em 2005, o temor de novo rebaixamento em 2006, a empolgação frustrada com o time de Caio Júnior em 2007, o coito interrompido dos investimentos da Traffic em 2008 e 2009, 2009 que fala por si só, a volta de Scolari e as campanhas lamentáveis de 2010 e 2011 que culminaram com o novo rebaixamento em 2012, a Série B vencida a toque de caixa em 2013 e o centenário assombrado pela ameaça de novo rebaixamento.
Então no ano passado começa a era de suposta bonança financeira, estádio novo, dirigente bom de reforço, e vem o título da Copa do Brasil para compensar mais uma frustração com um Brasileiro que chegamos a sonhar.
E agora, enfim, parece que chegou a hora. O jogo contra o Galo não é de vida ou morte, ainda temos uma vantagem razoável, mas o simbolismo da data é marcante. Quatorze anos depois, é hora de passar de vez a régua nesse ciclo de horror e construir uma nova história, mais estável, mais tranquila e definitivamente vencedora.
Curiosamente, o Vitória também está envolvido: se arrancar um ponto do Santos, no mesmo confronto que nos salvou da queda em 2014, e nós fizermos a nossa parte, o título pode sair domingo, em casa, diante do Botafogo.
Definitivamente, eu não acredito em coincidências.
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