Paulo Nobre e Dudu com taça de campeão brasileiro (Foto: Marcos Ribolli)
Tempo (substantivo masculino): duração relativa das coisas que cria no ser humano a ideia de presente, passado e futuro; período contínuo no qual os eventos se sucedem.
Eu, o Tempo, quero falar com os palmeirenses hoje.
Cuca, quantas vezes você chegou tão perto de conquistar um Brasileirão? Ficava no quase, batia na trave. Vieram outros títulos: Libertadores, Chinês e vários regionais, mas você ainda não estava pronto. Eu queria a sua plenitude, a entrega total que se busca em um treinador de ponta.
A parte tática, o conhecimento, isso você dominava, mas eu queria mais. Você foi para Ásia e voltou diferente. Mais paciente, menos supersticioso, reagindo melhor às derrotas e exercendo sua liderança na hora de vir a público e cravar, sem medo do que os outros iriam pensar, após desclassificações no Paulista e na Libertadores: o Palmeiras será campeão brasileiro!
O campeonato ainda não tinha começado. E agora, sete meses depois, você pode, finalmente, vestir a 8, a mesma que usava como jogador, e fazer o tão esperado gesto de "colocar a faixa".
Zé Roberto, multicampeão! Com você fui mais generoso, coisa de amigo mesmo. Acompanhei a sua entrega dentro e fora de campo. O esforço, a preocupação com o físico, o profissionalismo, a consagração na Europa e com a camisa da seleção brasileira. Você chegou ao Palmeiras e trouxe, mais do que uma solução pra lateral, uma mentalidade vencedora. De cara conquistou o presidente, depois os jogadores, o torcedor e o Brasil inteiro. Comemore, vovô-garoto! Como você mesmo disse, o Palmeiras não é grande. O Palmeiras é gigante!
Moisés, não falei pra você confiar em mim que nossa parceria daria certo? Todas aquelas dúvidas da sua chegada foram sumindo a cada desarme, a cada lançamento ou passe preciso. Rapidamente, você se tornou peça-chave no esquema do treinador pela sua entrega, pela sua qualidade e versatilidade. Hoje, o torcedor palmeirense não pode imaginar um meio de campo sem você e Tchê Tchê. Aos 28 anos, saboreie a maturidade e a consagração profissional.
Glória, glória, aleluia! Glória, glória, aleluia. Glória, glória, aleluia... é o Gabriel Jesus! Com essa saudação, não tinha o que esperar. Em dois anos, vi de perto o garoto promissor, prata da casa, se tornar rapidamente o homem-gol da equipe e da seleção brasileira. Tudo tem acontecido muito rápido: Seleção, Manchester City, independência financeira...
Mas o que me chama a atenção, mais do que o seu talento, é a maneira como um menino de só 19 anos tem lidado com esse turbilhão de emoções. O último jogo ao lado do torcedor, no seu estádio, não poderia ser de outra forma que não com uma linda festa. O recorde de público e o titulo serão só um capítulo especial dessa linda história. Vai conquistar o mundo, garoto!
Jailson e Fernando Prass, vocês me emocionaram. Jailson é daqueles caras carismáticos, simples, de grupo. Um goleiro que soube aguardar a sua chance sempre com um sorriso no rosto e muito trabalho. Saiu de terceiro reserva para condição de titular e pode bater no peito e com orgulho dizer que é campeão sem conhecer NENHUMA derrota. Isso mesmo! Das 18 partidas que esteve em campo, não perdeu nenhuma.
Fernando Prass é ídolo. E os ídolos, às vezes, são testados. E a forma como eles reagem diante das dificuldades é que os fazem ainda maiores. Em 2015, na conquista da Copa do Brasil, Prass foi quem bateu o pênalti decisivo. Fez o gol e virou herói. Em 2016, uma lesão no cotovelo o tirou de campo. Fiquei acompanhando como você e sua família reagiram ao ver a conquista do ouro olímpico da seleção brasileira e o Verdão se aproximar do titulo brasileiro sem você lá.
Prass, você surpreendeu a mim e a todos. Voltou muito rápido. A tempo de protagonizar o momento mais bonito dessa conquista. Vê-lo entrando e voltando a jogar tão rápido e dando aquele abraço no seu companheiro de posição é mais do que uma homenagem, é um reconhecimento a quem ocupou definitivamente um lugar no coração dos palmeirenses.
Por fim, vocês torcedores. Tenho certeza que 22 anos foi tempo demais. Era o teste final e vocês passaram. O amor cresceu. A expectativa só fez vocês abraçarem a equipe e caminhar juntos. Está certo que às vezes vocês fraquejaram e trocaram o apoio por vaias e agressões. Mas não este ano. Tudo passou a ser diferente. Uma casa das mais modernas do mundo, a camisa mais valiosa do futebol sul-americano, um elenco forte e uma torcida apaixonada.
O embarque para o jogo contra o Atlético-MG foi a gota d'água. Era hora de dar o que vocês tanto esperavam... Parabéns, Palmeiras! Campeão Brasileiro de 2016!

Mina faz selfie com a torcida do Palmeiras após a conquista do Campeonato Brasileiro (Foto: Marcos Ribolli)
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PARABÉNS Caio....
Caio lindo a sua homenagem mais cadê a parte do Dudu nosso guerreiro
Lindo texto .... parabéns, Verdão minha vida é Vc.