Jair Ventura tenta manter seu conceito no Botafogo, jogando atrás da linha da bola no esquema 4-1-4-1 e apostando nos contra-ataques. O treinador não abraçou o DNA ofensivo do Santos e, por isso, já sofre pressão de dirigentes, conselheiros e torcedores. O problema é que o Palmeiras venceu o jogo de ida por 1 a 0, fato que deve obrigar Jair a "soltar" o seu time durante o jogo.
Com Roger Machado, a situação é inversa no Palmeiras. O treinador começou o ano trabalhando a equipe com conceitos mais ligados às suas ideias de futebol, mas aos poucos foi se adaptando às características e preferências do elenco. Como ele mesmo costuma frisar, a construção de um time de futebol depende de um processo que leva tempo.
Do 4-1-4-1 do início da temporada, com Lucas Lima mais recuado e Tchê Tchê ao seu lado no meio-campo, o Palmeiras mudou para um 4-2-3-1 mais tradicional e voltado para pressionar a saída de bola adversária. O ex-meia santista voltou a ser adiantado para jogar como 10 e apertar os zagueiros rivais, e Tchê Tchê deu lugar a Bruno Henrique, um volante mais pesado e marcador.
Essa transformação teve início há um mês, logo depois da derrota para o Corinthians, a primeira da temporada. O time foi criticado pela postura passiva em campo, e desde então o que se vê do Palmeiras, especialmente nos jogos em casa, é um time intenso do início ao fim, com marcação adiantada e reação muito rápida à perda da bola. Como gosta de dizer o capitão Dudu, essa é a identidade alviverde, o mesmo estilo de jogo que levou o clube ao título brasileiro em 2016.
Ao mesmo tempo, várias ideias de Roger estão presentes desde o início do ano, como as triangulações para troca de passes e as inversões rápidas para jogadores que ficam abertos na ponta. O Palmeiras tem tido evolução sob o comando do treinador e não caiu de produção nem mesmo quando perdeu seu artilheiro, Borja, convocado para defender a seleção colombiana.
A síndrome de Simeone
Jair Ventura prioriza o sistema defensivo e não esconde de ninguém que se espelha em Simeone. O argentino enfrenta os grandes europeus com uma equipe muito organizada e compacta, que baseia suas ações ofensivas em reações aos ataques do rival. Tudo isso é que Jair mostrou em sua carreira até o momento e, inclusive, na maioria da temporada santista.
O treinador evita falar sobre esse conceito de jogo defensivo em entrevistas, pois sabe que a torcida santista cobra o oposto pela história do clube. No Botafogo, em que trabalhava com orçamento mais baixo, as menções ao argentino eram mais constantes.
Na apresentação pelo Santos, o treinador falou de Simeone e já dava indícios que não se renderia ao DNA ofensivo santista. "Se eu tiver jogadores com características mais defensivas, vou ser defensivo. Se contasse com jogadores mais ofensivos [no Botafogo] teria dado outro exemplo que não fosse o Simeone. Lógico que conheço a história do Santos. Seremos super ofensivos, mas não vamos perder a competitividade, a organização, o jogo coletivo. Vamos ser, mas organizados, táticos e intensos", afirmou Jair.
Jair deve manter a "receita" no clássico contra o Palmeiras (4-1-4-1 e contra-ataques), mesma postura santista em todos os clássicos de 2018 (derrota para o Palmeiras, vitória contra o São Paulo, empate contra o Corinthians e derrota recente para o rival desta terça-feira). Até mesmo em duelos contra times de menores, como Linense e Ponte Preta, ele preferiu fechar o time e jogar de maneira reativa.
Santos e Palmeiras podem ter supresas na lateral
Além de Borja, convocado, outro desfalque alviverde para o clássico deve ser Marcos Rocha. O lateral direito tem uma sobrecarga muscular e não treinou com os titulares na segunda-feira, tendo ficado na parte interna fazendo tratamento. Caso ele não jogue, Tchê Tchê é o substituto. Na outra lateral, Victor Luís, que sofreu uma entorse no jogo de ida, está recuperado e deve ir a campo.
O Santos, por sua vez, pode ter novidades na lateral pois Jair Ventura relacionou Victor Ferraz. Antigo titular da posição, ele não atua desde o dia 28 de janeiro, quando lesão no ombro no clássico contra o São Paulo. Daniel Guedes agrada bastante quando o assunto é apoio ao ataque, mas a comissão técnica avalia que o time sofre muitos gols nas "costas" do jogador.
Ficha Técnica
Palmeiras e Santos
Data e horário: 27/03/2018, às 20h30 (de Brasília)
Local: Estádio do Pacaembu
Árbitro: Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza
Auxiliares: Herman Brumel Vani e Miguel Cataneo Ribeiro da Costa
Palmeiras: Jailson; Tchê Tchê, Antônio Carlos, Thiago Martins e Victor Luís; Felipe Melo, Bruno Henrique e Lucas Lima; Dudu, Willian e Keno.
Técnico: Roger Machado.
Santos: Vanderlei, Daniel Guedes (Victor Ferraz), Lucas Veríssimo, David Braz, Dodô; Alison, Renato, Jean Mota (Vitor Bueno ou Vecchio); Sasha, Rodrygo (Arthur Gomes) e Gabigol.
Técnico: Jair Ventura.
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