Ele perdeu a mãe, ajudou pai na pesca e já jogou até sem comer; hoje, é reforço do Palmeiras

22/3/2020 14:16

Ele perdeu a mãe, ajudou pai na pesca e já jogou até sem comer; hoje, é reforço do Palmeiras

Ele perdeu a mãe, ajudou pai na pesca e já jogou até sem comer; hoje, é reforço do Palmeiras

Matéria originalmente publicada em 31 de janeiro de 2020, quando o Palmeiras negociava a contratação do atacante Valdenilson, destaque do Moto Club na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Atualmente, o atleta integra o elenco sub-20 do Verdão.







LEIA TAMBÉM: Momento de união: Ex-presidente do Palmeiras manda recado para torcidas





Eu sou de uma cidade do Maranhão chamada Primeira Cruz. Todo mundo me conhece como Saci, mas eu não sei te dizer até hoje o porquê... Desde que sou criança, sou chamado assim.



Talvez seja porque chegava em casa pretinho. Eu só jogava beach soccer, só tinha campo de areia. Tinha um campo de grama, mas quem jogava por lá eram os mais velhos. Não me deixavam jogar porque eu era pequeno e tinham medo que eu me machucasse.



Então, eu ia para o campo de areia. Mas eu preferia jogar com os maiores, porque os meninos da minha idade eu driblava tudinho... Um dia, me deixaram jogar uma pelada na grama. Esse jogo era apostado, e eu comecei a fazer gols.



Fui chamado para jogar os campeonatos amadores da cidade depois disso e comecei a chamar atenção. Fomos campeões. Todos falavam que eu tinha que sair da cidade para mostrar meu futebol, mas não tinha oportunidade de ninguém me levar, porque não tinha casa para ficar em São Luís.



Eu perdi minha mãe quando tinha 12 anos. Ela estava doente há bastante tempo na cama e não conseguia mais levantar. Lembro que ela queria me ver porque eu não estava em casa. Eu lembro que ela me abençoou e deu tchau. Eu não entendi na hora porque ela fechou os olhos. Eu fiquei desesperado e comecei a chamá-la, mas não respondia. Nisso, ela faleceu.



Meu pai foi um guerreiro. Se fosse outro, teria caído bebendo cachaça. Mas ele tomou conta de todos nós e trabalhou. Ficou sempre do nosso lado.



Ele trabalhava com pesca de caranguejo, camarão e peixes, de segunda a sexta. Trabalhava o dia todo. O barco dele não tinha motor, ele precisava remar. Ele me chamou um dia e disse que não poderia trabalhar com aquilo por muito tempo porque é um serviço muito pesado e prejudica as costas. Ele sentia muitas dores na coluna. Eu fiquei pensando muito nisso.



Somos em cinco irmãos, e só meu pai trabalhava fora. Eu o ajudava na pesca com linha algumas vezes. Eu botei na cabeça que iria virar jogador de futebol para ajudar minha família.



Consegui um contato de uma tia que morava em São Luís e expliquei que precisava fazer testes nos times, se poderia ficar na casa dela. Mesmo que não conseguisse passar, eu ia arrumar um emprego para ajudar. Ela me deixou ir. Eu fui ao Maranhão Atlético Clube (MAC) fazer testes para o sub-19, e o treinador gostou de mim. Não deu certo porque o cara que me levou para o time acabou discutindo com o presidente do clube. Eu voltei para casa e pensei: “E agora?”



Eu desmotivei e achei que não ia mais fazer testes, mas minha namorada ficou me incentivando: “Você tem um sonho, não vai parar. Você vai tentar até conseguir”. Um dia, meu colega me ligou. O Moto Club queria ele, mas já tinha estourado a idade... Perguntaram se ele não conhecia nenhum garoto bom nascido em 2000. Ele me indicou.



Quando me ligaram, eu fiquei muito alegre. Eu nem sabia chegar no clube porque não sabia andar em São Luís. Era muita gente fazendo testes. Quando eu cheguei, arrebentei. Joguei para porra! Precisava ir bem para ser aprovado. Só que eu saí logo no primeiro tempo, com dor de barriga. Achei que não iria passar. Estava triste comigo.



Quando terminou, foram me falar que o treinador queria me ver jogar outra vez. No dia seguinte eu voltei, fui bem de novo e me aprovaram para jogar o Maranhense sub-19. Liguei para o meu pai, que ficou feliz. Virei titular do time e fiz um gol na estreia, mas o juiz anulou. Depois, comecei a fazer gols no torneio.



Tudo parecia dar certo. Até que tive que sair da casa da minha tia. Ia ter que voltar para minha cidade, não tinha lugar para morar. Ia ter que abandonar a carreira.



Foi nisso que apareceram meus primos. Disseram que iam alugar uma casa, e íamos rachar o aluguel. Eu tinha que dar R$ 100 da minha parte, mas meu pai não podia pagar. Precisei ligar para um outro tio que me ajudou a realizar meu sonho. Ele também comprava roupa para mim, porque papai não tinha condição de me ajudar. Já sustentava meus quatro irmãos.



*



Ia ter jogo pelo Maranhense sub-19. Eu não tinha nada para comer. Como ia jogar o campeonato? Eu já era titular e achei que ia com fome para o jogo. O dinheiro só ia sair no fim do mês. Eu fui para dois jogos sem almoço e ainda fiz dois gols, acredita? Passamos para a semifinal.



Depois, minha prima deu um jeito de comprar uma cartela de ovo. Fritou dois para mim, e eu comi. Fui para a semifinal e fiz outro gol. Ganhamos de 2 a 0 e passamos.



Minha prima disse que ia dar um jeito de comprar uma carne, nem que fosse fiado, para jogar a final. Eu não estava me alimentando bem, só comia ovo, salsicha, essas coisas. Ela fez um cozidão, eu comi bem. O jogo era às 15h30, no Castelão. Com 20 minutos, eu fiz o primeiro gol, e nós ganhamos por 2 a 0. Fomos campeões e ganhamos a vaga para a Copa São Paulo de 2020.



Fiquei feliz demais. Era um grande sonho jogar a Copa São Paulo, que só via pela televisão. Os meninos e o treinador do Moto falavam que, se eu jogasse a Copinha, não voltava mais para o Maranhão. No primeiro jogo da Copinha, eu fiz dois gols!



Muitos empresários começaram a mandar mensagem para mim no WhatsApp, e meu celular não parava de tocar. Eu não sabia o que fazer. Nisso, falei com o André, diretor do Moto, que pediu para que eu passasse os contatos para ele. O André me disse que o Santos, Palmeiras, Corinthians, Bahia e Ferroviária estavam interessados em mim. Também tinham outras equipes menores. Fiquei muito alegre com isso. Ele me disse que o Palmeiras tinha a melhor oferta e que eu iria para lá.



Eu aceitei na hora!



Fui para o segundo jogo, contra o Sport, e joguei bem de novo. Os empresários continuaram em cima, mas o André falou para eu dizer que já estava com o Giuliano Bertolucci. Conversei com o Paulo Rocha, do Bertolucci, e deu tudo certo.



Joguei contra a Desportiva Paraense e tive uma boa atuação, mas fomos eliminados.



Eu ia voltar de ônibus para o Maranhão, mas o Paulo pagou uma passagem de avião para dois moleques e eu voltarmos.



O Moto e o Palmeiras já acertaram tudo. Só estou esperando para ir até São Paulo.



Minha família está muito feliz porque desde pequeno tinha o sonho de jogar em um time grande. Minha namorada está grávida de quatro meses. Eu vou ser pai!



Devo morar no alojamento do Palmeiras no começo, mas o que quero mesmo é dar uma casa melhor para o meu pai. E um barco grande com motor...



Para ele não precisar mais remar.

















Palmeiras, verdão, alviverde, Alianz Parque, CT da barra funda, paulista, libertadores, mundial, brasileiro, copa do brasil, Vanderlei Luxemburgo, técnico,


7923 visitas - Fonte: ESPN

Mais notícias do Palmeiras

Notícias de contratações do Palmeiras
Notícias mais lidas

No Palmeiras vc está em casa. Seja sempre esse garoto sonhador. Seja bom e ande com gente boa. Procura os bons para se aconselhar. Queira sempre amanhã ser melhor que

Deus vai te abençoar garoto, tenha fé ??

José Cândido     

FORÇA garoto

Seja sempre humilde garoto que você só tem a ganhar que Deus te abençoe e siga em frente corra a trás do seu sonho porque tudo nessa vida só se ganha com fé e dificuldades.

Doni Prado     

parabens tenha fé e agradeça sempre a Deus

Que vc realize seu sonho e seja exemplos para od mais jovens.

Não desista dos seus sonhos e tenha fé em Deus.

Mete gol precisamos de vc.

É isso aí garoto, perseverança é tudo.

Enviar Comentário

Para enviar comentários, você precisa estar cadastrado e logado no nosso site. Para se cadastrar, clique Aqui. Para fazer login, clique Aqui ou .
publicidade