Ele saiu de anônimo do quartel a titular de Palmeiras histórico sem base

16/8/2020 18:16

Ele saiu de anônimo do quartel a titular de Palmeiras histórico sem base

Ele saiu de anônimo do quartel a titular de Palmeiras histórico sem base

Time do Palmeiras campeão paulista de 1996 com 102 gols marcados; Sandro está atrás de Rivaldo, quase coberto na foto

Imagem: Eduardo Knapp-2.jun.1996/Folhapress




Djalminha, Rivaldo, Muller, Luizão, Cafu, Flávio Conceição, Júnior... Mais de 20 anos se passaram e o histórico esquadrão de 1996, comandado por Vanderlei Luxemburgo, segue na ponta da língua do torcedor palmeirense. Um dos 11 titulares, porém, nunca foi lembrado com o mesmo entusiasmo dos demais: Sandro Blum, que na época veio do Juventude através de uma parceria da Parmalat, antiga patrocinadora do Palmeiras. Ele não chegou para ser titular, mas ficou marcado na história.







Hoje com 50 anos, o ex-zagueiro que chegou ao Palmeiras após ser campeão da Série B pelo Juventude conversou com o UOL Esporte e recordou sobre a 'bonita história' que, segundo ele, "nunca vai apagar da sua memória". "Era Velloso, Cafu, Cléber, Junior, Amaral, Conceição, Djalminha, Rivaldo, Luizão, Muller. Atletas tudo de ponta, e eu junto", diz Sandro, que até hoje atura gozações dos amigos: "Hoje muita gente brinca... 'Pô, não acredito que tu jogou naquele time, como pode'? E eu falo: 'Todo mundo pode, é ter a oportunidade e aproveitar'. Essa história que tu chegou e o treinador não gostou de ti... Não, corra atrás".

Sandro Blum fugiu um pouco do padrão da maioria dos jogadores de futebol. Aos 19 anos, estava no exército. Não tinha passado por clube nenhum nas categorias de base. Mas na primeira chance que teve no futebol profissional, no Rio Grande do Sul, conseguiu se sobressair. Era o pontapé de uma história que ainda estava apenas começando.



"Até os 19 anos, eu servi o quartel, não tive base. Aos 17 anos, trabalhava e o patrão me liberava no final do expediente pra treinar na equipe amadora em que ele era o presidente. Fui para o quartel, e aos 19 anos voltei praquele clube e, aos 20, tive a oportunidade de disputar uma Segunda Divisão do Gaúcho, pelo Dínamo de Santa Rosa. E o que aconteceu? A gente subiu para a Primeira, e aí comecei a aparecer nos jogos contra Inter e Grêmio. Não é porque você não tem as condições que não vai conseguir vencer. É a questão de correr atrás".



Ida ao Palmeiras teve o dedo de Leão



Antes do Palmeiras, Sandro Blum jogou por três anos no Juventude. Em 1994, foi campeão da Série B com o time gaúcho. Ainda disputou o Brasileiro de 1995 por lá, mas já havia despertado a atenção do clube alviverde. Uma conversa com o técnico Emerson Leão, que havia chegado para substituir o técnico Heron, responsável pelo acesso, tinha deixado isso claro.



"Conseguimos o título da Série B, que foi muito importante, até pro início da minha carreira. E em 95, depois que o professor Heron saiu, chegou o Leão, e aí que foi, digamos assim, a minha grande mudança. Ele tinha conhecimento gigantesco do Palmeiras e, eu me recordo que em outubro de 95, ele me chamou e disse: 'Olha, você está muito bem, continue assim e em janeiro tu vai se apresentar no Palmeiras, então se prepara, termina o ano bem'", lembra.



"No início de janeiro, o Brunoro [José Carlos, executivo do Palmeiras na época] me ligou e disse: 'Tal dia você tem que se apresentar no Palmeiras'. Óbvio que era uma mudança muito grande, do Juventude para o Palmeiras. E eu cheguei para fazer parte do grupo... Era um grupo formado por selecionáveis, muita gente boa reunida. Mas, como sempre, aos poucos, fui conquistando meu espaço. Não cheguei para ser titular", destaca o ex-zagueiro alviverde.



Jogo-chave contra o Borussia Dortmund



Antes de o ano 'começar pra valer', o Palmeiras disputou duas competições amistosas: o Torneio Início e a Copa Euro-América, disputada em Fortaleza, sob muito calor. E foi nesta segunda que Sandro Blum ganhou uma oportunidade de Vanderlei Luxemburgo e não saiu mais.



"No início dos treinos, comecei a me destacar. Tinha aquele Torneio Início, e teve um jogo contra o Rio Branco de Americana que eu não comecei como titular... A gente fez a pré-temporada em Serra Negra, e os titulares [da zaga] eram Claudio e Cléber. O Palmeiras não foi muito bem no Torneio Início, e a gente foi pra Fortaleza e, na preleção, o Vanderlei disse que daria uma oportunidade para o 'gaúcho', no caso, eu, e aí fizemos aquele jogo fantástico, memorável", conta Sandro, relembrando a histórica goleada por 6 a 1 sobre o Borussia Dortmund, gols de Luizão, Rivaldo, três vezes, Cafu e Elivélton.



O Vanderlei disse que daria uma oportunidade para o 'gaúcho', no caso, eu, e aí fizemos aquele jogo fantástico"



"Lá já começou aquele massacre. O time ali já mostrou que iria encantar naquele semestre. Depois empatamos com o Flamengo, fomos campeões daquela American Euro Cup e não saí mais. Foi a oportunidade que tive e eu soube aproveitar. Aí já teve jogo contra Mogi Mirim, Portuguesa, fiz gols nos dois, e me firmei. Mas não fui contratado para ser titular. Fui por aquela parceria... Eu era da Parmalat, e conquistei a posição nos treinamentos iniciais", recorda.



Melhor que o Flamengo de Jorge Jesus



Palmeiras de 1996 com Vanderlei Luxemburgo ou o recente Flamengo de Jorge Jesus? Qual dos times jogou mais? Para Sandro Blum, não há dúvida nenhuma: Palmeiras: "Fica na frente, sim. Um tempo atrás estavam comparando com o Santos também... Se comparar atleta com atleta... Tínhamos dois meias canhotos fantásticos, atacantes... Sem sombra de dúvida, te digo que o Palmeiras de 96 jogava um futebol muito mais bonito que o do Flamengo do ano passado".



O Palmeiras de 96 jogava um futebol muito mais bonito que o do Flamengo do ano passado"



Para Sandro Blum, o Flamengo de Jesus não trouxe inovações e apenas repetiu o que o time de mais de 100 gols de Luxemburgo já havia feito na década de 90.



"Sem tirar os méritos, fizeram um grande elenco, um grande treinador, mas essa história de que se inovou, fez uma equipe competitiva, que não dava espaço, isso a gente tinha em 96, não deixava o adversário sequer tentar agredir. Não foi uma inovação. Foi uma repetição... Digamos que o Palmeiras de 96 também foi uma repetição do Flamengo de 81, 82... Época de Zico, Adílio, Nunes... São ciclos. Sem tirar o mérito de qualquer equipe, mas aí vou puxar pro meu lado... Como aquela equipe, vai ser muito difícil formar um grupo tão forte novamente", opina.



Pós-Palmeiras e aposentaria bem planejada



Sandro Blum fez disputou 77 jogos com a camisa do Palmeiras, com 48 vitórias, 15 empates e 14 derrotas. Em seguida, passou por clubes como Atlético-MG, Sport e Santa Cruz até se aposentar de vez em 2009, pelo Novo Hamburgo. No clube gaúcho, fez um acordo para, quando pendurar as chuteiras, assumir um cargo como cartola do clube. E assim foi.



"Eu já tinha feito uma parada em 2008, não queria mais, estava cansado, não dos jogos, mas do dia a dia de treinamento, é muito desgastante, foram quase 25 anos em alto nível e isso cansa demais. Meu planejamento era continuar como diretor de um clube que eu estava, mas aí fui convidado por um outro clube da primeira divisão do Gaúcho, e já fui 'casado' [risos]. Só iria se terminasse o Gaúcho e assumisse as categorias de base pra dar prosseguimento no meu trabalho. Acabou acontecendo, mas não fui pra base, fiquei na direção de futebol", conta.





Sandro Blum está abrindo uma empresa que terá como principal objetivo levar meninos ao futebol europeu Imagem: Arquivo pessoal



"Minha ideia sempre foi não trabalhar no campo, sempre fui da questão de gerenciamento, organização, meu lado sempre pendeu para isso, e não pra trabalhos técnicos. E é isso que tenho feito nos últimos dez anos, e estou muito contente, não tenho vontade nenhuma de ir pra dentro de campo campo, trabalhar como treinador, auxiliar, isso não me chama atenção", explica o ex-atleta, que diz ter se preparado financeiramente para quando parasse de jogar.



"Meu final de carreira foi bem preparado. Muitos falam que é muito traumático, as pessoas acabam tendo problemas psicológicos. Pra mim foi tranquilo, virei a chave com uma tranquilidade fantástico. No domingo terminei um jogo, na segunda à tarde estava do outro lado já trabalhando na direção de futebol do clube. Foi bem organizado e é assim que segui minha vida até agora", acrescenta Sandro, que, depois do trabalho como diretor, começou a trabalhar com as categorias de base, seu grande sonho, e depois não parou mais.



Hoje, depois de trabalhar por dez anos com o Ivoti, um clube gaúcho formador de jogadores, Sandro Blum se prepara para abrir um empresa que terá como principal objetivo recrutar meninos e levar para o futebol europeu, uma vez que, segundo ele, não há retorno financeiro negociando com os grandes clubes do Brasil.









"Não conseguimos o retorno financeiro de nenhum atleta desse porquê os clubes grandes simplesmente não pagam. A gente vê muito problema acontecer no futebol profissional, mais entre brasileiros, porque quando a situação vai pra Fifa as coisas mudam de história. Infelizmente isso aconteceu e, por esse motivo, resolvi buscar, novamente, uma oportunidade para os clubes pequenos", completa.


12999 visitas - Fonte: UOL

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