2/6/2020 12:46
Neste domingo (01/06), o deputado Marcelo Aro (PP-MG) relator do Projeto de Lei 2125/2020, postou no Instagram sobre a ideia, escrevendo que em "2018 o futebol gerou 52,9 bilhões de reais" para a economia brasileira. Ele lembra que clubes estão sofrendo com a pandemia, e que "resgatar esses clubes é garantir empregos para milhares de famílias".
Imediatamente, os atletas invadiram a conta e protestaram. Foram mais de 300 mensagens, de atletas como Felipe Melo, Leo, Diego, Fernando Prass, Ricardo Oliveira, Marinho, Leandro Castán, Hudson, entres outros. Atletas de todas as divisões do futebol brasileiro.
A mensagem coletiva dizia: "Deputado Marcelo Aros, o que acha de apresentar um PL que realmente ataque os verdadeiros problemas do futebol brasileiro??? Que todos nós que estamos no futebol brasileiro sabemos quais são.Caso esteja disposto a realmente mudar os rumos do nosso futebol conte com a gente. #nao tem futebol sem jogadorestodoscontraPL2125".
O deputado apagou a maioria das mensagens.
Os atletas vão além, e não descartam uma greve caso não sejam ouvidos."Se não avançarmos, e não nos ouvirem, esse é um caminho", diz o presidente do Sindicato Municipal dos Atletas Profissionais de São Paulo, Washington Mascarenhas.
O direito de greve no Brasil foi uma das mais importantes conquistas dos trabalhadores por meio da Constituição Federal de 1988, que no artigo 9º determina: "É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender" Essa manifestação também está regulamentada pela Lei Federal 7783/89.
Atleta é um trabalhador, e tem esse direito garantido pela CF.
No futebol brasileiro não existe histórico de greve. Em 2013, o movimento Bom Senso conseguiu que atletas se unissem e ficassem parados no início dos jogos para alertar sobre questões importantes para a classe.
Mas, dessa vez, se vê um movimento mais forte, e com uma unidade inédita.
O que diz o PL 2125
O Projeto de Lei 2125 que tem como objetivo principal suspender a obrigação aos clubes dos pagamentos das parcelas do Profut por 180 dias, como forma de socorro em função da crise econômica provocada pela pandemia. Mas uma leitura de todo o texto mostra que ele traz embutido outras questões importantes.
Uma delas é a permissão às entidades que organizam campeonatos de alteração em regulamentos e calendários das competições já iniciadas. Ou seja, um caminho aberto para adaptações nos estaduais, paralisados pelo coronavírus, e até mesmo no Brasileirão, ainda sem data para começar.
O PL também retira direitos de atletas. Ele conta com um artigo que altera para 30 dias o prazo mínimo de duração dos contratos com os jogadores. Atualmente, de acordo com a Lei Pelé, os vínculos precisam ser firmados por pelo menos três meses. Além disso, a multa rescisória, cláusula compensatória desportiva, será reduzida de 100% para 50% do estabelecido em contrato, e ela poderá ser paga parceladamente. Esta proposta estava no Projeto apresentado pelo deputado Arthur Maia (DEM_BA), mas Marcelo Aro delimitou um corte nessa linha, e ela irá atingir atletas que ganham mais de R$ 12,2 mil.
Importância do diálogo
Claro que o momento é excepcional, o que exige de todos novos caminhos e soluções. E toda discussão e iniciativa para enfrentar esses dias é importante.
Mas a crise não pode jamais ser pretexto para alimentar a velha cultura da inadimplência, e irresponsabilidade na gestão esportiva.
Se ganha um benefício, é preciso assumir responsabilidades, compromissos. Isso vale para mim, para você, para todos em qualquer empréstimo bancário. Isso precisa valer também para o esporte.
E não se retira direitos sem o exaustivo e necessário diálogo, e esse precisa ter a participação dos principais atingidos pelas medidas. Qualquer decisão tomada de maneira assoberbada, e sem a leitura sistêmica do futebol tem tudo para ser mais um grande fracasso.
O futebol está mudando. O esporte também. Temos ótimos exemplos de organizações esportivas que estão estabelecendo novos conceitos de gestão, que entenderam a necessidade de se trabalhar com esporte de maneira transparente, ética e profissional.
Nessa hora buscar caminhos é indispensável. Assim como o diálogo com todo o movimento esportivo. Sem ele, qualquer iniciativa perde força, e mais, perde legitimidade.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal
Palmeiras, Atletas, Projeto, Greve, Futebol
Atletas se mobilizam contra Projeto que será votado, e não descartam greve
Hoje (02/06), a Câmara irá analisar um projeto importante para o futebol brasileiro. Ele garante uma carência aos clubes no pagamento de parcelas do Profut, muda leis e retira direitos de atletas. E isso provocou uma grande - e rara - mobilização entre os jogadores, que prometem até greve em caso de aprovação sem um prévio diálogo.
Neste domingo (01/06), o deputado Marcelo Aro (PP-MG) relator do Projeto de Lei 2125/2020, postou no Instagram sobre a ideia, escrevendo que em "2018 o futebol gerou 52,9 bilhões de reais" para a economia brasileira. Ele lembra que clubes estão sofrendo com a pandemia, e que "resgatar esses clubes é garantir empregos para milhares de famílias".
Imediatamente, os atletas invadiram a conta e protestaram. Foram mais de 300 mensagens, de atletas como Felipe Melo, Leo, Diego, Fernando Prass, Ricardo Oliveira, Marinho, Leandro Castán, Hudson, entres outros. Atletas de todas as divisões do futebol brasileiro.
A mensagem coletiva dizia: "Deputado Marcelo Aros, o que acha de apresentar um PL que realmente ataque os verdadeiros problemas do futebol brasileiro??? Que todos nós que estamos no futebol brasileiro sabemos quais são.Caso esteja disposto a realmente mudar os rumos do nosso futebol conte com a gente. #nao tem futebol sem jogadorestodoscontraPL2125".
O deputado apagou a maioria das mensagens.
Os atletas vão além, e não descartam uma greve caso não sejam ouvidos."Se não avançarmos, e não nos ouvirem, esse é um caminho", diz o presidente do Sindicato Municipal dos Atletas Profissionais de São Paulo, Washington Mascarenhas.
O direito de greve no Brasil foi uma das mais importantes conquistas dos trabalhadores por meio da Constituição Federal de 1988, que no artigo 9º determina: "É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender" Essa manifestação também está regulamentada pela Lei Federal 7783/89.
Atleta é um trabalhador, e tem esse direito garantido pela CF.
No futebol brasileiro não existe histórico de greve. Em 2013, o movimento Bom Senso conseguiu que atletas se unissem e ficassem parados no início dos jogos para alertar sobre questões importantes para a classe.
Mas, dessa vez, se vê um movimento mais forte, e com uma unidade inédita.
O que diz o PL 2125
O Projeto de Lei 2125 que tem como objetivo principal suspender a obrigação aos clubes dos pagamentos das parcelas do Profut por 180 dias, como forma de socorro em função da crise econômica provocada pela pandemia. Mas uma leitura de todo o texto mostra que ele traz embutido outras questões importantes.
Uma delas é a permissão às entidades que organizam campeonatos de alteração em regulamentos e calendários das competições já iniciadas. Ou seja, um caminho aberto para adaptações nos estaduais, paralisados pelo coronavírus, e até mesmo no Brasileirão, ainda sem data para começar.
O PL também retira direitos de atletas. Ele conta com um artigo que altera para 30 dias o prazo mínimo de duração dos contratos com os jogadores. Atualmente, de acordo com a Lei Pelé, os vínculos precisam ser firmados por pelo menos três meses. Além disso, a multa rescisória, cláusula compensatória desportiva, será reduzida de 100% para 50% do estabelecido em contrato, e ela poderá ser paga parceladamente. Esta proposta estava no Projeto apresentado pelo deputado Arthur Maia (DEM_BA), mas Marcelo Aro delimitou um corte nessa linha, e ela irá atingir atletas que ganham mais de R$ 12,2 mil.
Importância do diálogo
Claro que o momento é excepcional, o que exige de todos novos caminhos e soluções. E toda discussão e iniciativa para enfrentar esses dias é importante.
Mas a crise não pode jamais ser pretexto para alimentar a velha cultura da inadimplência, e irresponsabilidade na gestão esportiva.
Se ganha um benefício, é preciso assumir responsabilidades, compromissos. Isso vale para mim, para você, para todos em qualquer empréstimo bancário. Isso precisa valer também para o esporte.
E não se retira direitos sem o exaustivo e necessário diálogo, e esse precisa ter a participação dos principais atingidos pelas medidas. Qualquer decisão tomada de maneira assoberbada, e sem a leitura sistêmica do futebol tem tudo para ser mais um grande fracasso.
O futebol está mudando. O esporte também. Temos ótimos exemplos de organizações esportivas que estão estabelecendo novos conceitos de gestão, que entenderam a necessidade de se trabalhar com esporte de maneira transparente, ética e profissional.
Nessa hora buscar caminhos é indispensável. Assim como o diálogo com todo o movimento esportivo. Sem ele, qualquer iniciativa perde força, e mais, perde legitimidade.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal
Palmeiras, Atletas, Projeto, Greve, Futebol
Postado por
Thiago martins De Almeida
-
4032 visitas - Fonte: esporte.uol / lei em c
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PQ QUE ESTE DEOUTADO NAO FAZ UM OROJETO DE LEI PRA REDUZIREM OS GANHOS DELES ESSES VAGABUNDOS POLITICOS TEM QUE PENSAE MAIS NO ZÉ POVINHOS NÉ
Jogadores com toda razão. Tudo para os clubes e nada a eles. Palmeiras não entrou no PROFUT, logo não faz parte dessa medida sacana.