Enquanto o palmeirense Vitor Roque carrega o apelido de "Tigrinho" no Brasil por uma homenagem familiar, o equatoriano Piero Hincapié construiu a sua própria alcunha na base do rache e da pura ralação. Peça fundamental no elenco do Arsenal de Mikel Arteta, o defensor carimbou seu espaço na elite do futebol mundial e se prepara para o seu segundo Mundial. Mas a trajetória do zagueiro, que estreia neste domingo contra a Costa do Marfim, esconde um início marcado por forte desconfiança nos bastidores.
Nascido em Esmeraldas, cidade litorânea do Equador, o garoto passava os dias jogando bola na areia. Não importava se era um treino ríspido ou brincadeira: a dedicação extrema chamou a atenção do olheiro Marcos Zambrano. O profissional admite que quase deixou o talento passar batido por conta do físico franzino do menino. "Ele era muito tenaz, um lutador, um reclamão, mas muito, muito baixinho. Havia muitas dúvidas sobre ele por causa de seu tamanho. Mas ele tinha um espírito guerreiro como um tigre", revelou Zambrano.
O acordo travado com a família levou o garoto de apenas 10 anos para Guayaquil, onde o projeto de futebol mudaria o seu destino. Hincapié reage em campo, cala os críticos e inicia uma arrancada impressionante: espicha até os 1,84m, deixa o futebol sul-americano e, em 2021, aterrissa na Europa. "Jamais imaginei que aquele garotinho que corria como um tigre selvagem se tornaria um jogador de elite, atuando na Bundesliga e agora na Premier League pelo Arsenal", dispara o olheiro, orgulhoso do pupilo.
Agora, aos 24 anos, o defensor coloca toda essa bagagem em jogo na liderança de sua seleção nacional. O impasse sobre sua capacidade ficou definitivamente no passado. Focado no confronto válido pelo Grupo E, o camisa 3 não esconde o orgulho pela caminhada. "Oficialmente, estou na minha segunda Copa do Mundo. Uma imensa honra representar meu país perante o mundo. Vamos com tudo", confirma o "Tigrito", pronto para mostrar que tamanho nunca foi documento para quem tem alma de guerreiro.
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