O zagueiro Luan, cuja trajetória marcou época no Palmeiras, vive dias de consagração no Toluca, do México. O defensor foi peça-chave para encerrar um jejum de 15 anos do clube mexicano, anotando inclusive um gol decisivo na final. No entanto, mesmo em alta no exterior, o atleta não esconde que o Allianz Parque segue vivo em seus planos. Em um momento de profunda reflexão sobre a carreira, o jogador de 33 anos admite o desejo de carimbar seu retorno ao clube paulista antes de pendurar as chuteiras e, quem sabe, estender a parceria nos bastidores.
A intenção de Luan vai muito além dos gramados. O atleta revelou o plano rústico de integrar a comissão técnica do Verdão após a aposentadoria, embora garanta que o corpo ainda aguenta o tranco em alto nível por mais algumas temporadas. "Seria uma honra muito grande poder trabalhar lá", disparou o defensor, que já se movimenta fora de campo e possui formação de treinador pela CBF. Nessa transição de mentalidade, ele confirma a influência direta de Abel Ferreira, a quem credita sua evolução na leitura tática e no entendimento profundo do jogo.
O amadurecimento do zagueiro foi moldado também por cicatrizes ríspidas. Luan relembrou o traumático pênalti cometido na final do Mundial de Clubes de 2021, que selou a derrota alvinegra para o Chelsea. Longe de muletas ou desculpas, o jogador encara o episódio como um divisor de águas que ele transformou em evolução pessoal e profissional. Hoje, adaptado à cultura mexicana ao lado da família e empilhando taças pelo Toluca — são cinco títulos em sete torneios —, ele reconhece a estrutura satisfatória do clube atual, mas sabe que o sarrafo estabelecido no Palmeiras é outro nível.
De olho no cenário nacional, Luan acompanhou de perto a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, onde reencontrou antigos companheiros de elenco. Embora elogie o potencial tático da equipe sob o comando de Carlo Ancelotti, o defensor contesta o ambiente extracampo do país. Para ele, a forte polarização política que tomou conta do Brasil azedou a relação e o carinho da torcida com o time canarinho.
Ao passar a limpo sua história, o zagueiro também manifestou forte saudade do Vasco, clube que o projetou e que carrega como "time do coração". No entanto, o zagueiro é categórico: o Palmeiras representa a virada de chave de sua vida profissional. Com o futuro em jogo e laços estreitos mantidos com os amigos de São Paulo, Luan deixa desenhado o roteiro para que o reencontro com a torcida alviverde seja apenas uma questão de tempo.
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