Marcelo Oliveira tem culpa, mas não está sozinho

17/10/2015 14:14

Marcelo Oliveira tem culpa, mas não está sozinho

Marcelo Oliveira tem culpa, mas não está sozinho

Tá devendo, hein, professor? Não só você, mas aquele futebolzinho depois de uma semana só treinando?



Marcelo Oliveira chegou ao Palmeiras cheio de moral, mas a instabilidade do time, que alterna vitórias épicas e vexames estrondosos do dia para a noite, já o jogou no tradicional moedor de ídolos que virou nosso time nos últimos anos. A ponto inclusive de sua competência ser questionada, de cravarem que ele é o técnico decadente citado por André Kfouri neste texto e de acharem que com Oswaldo de Oliveira o time rendia melhor.



Nesse último ponto, vou tranquilo para defender nosso atual técnico: é mentira. Com o treinador anterior, o time tinha os mesmos altos e baixos, rendia bem em uma partida (como nos dérbis de Itaquera) e pessimamente em outra (Joinville, ASA, segundo jogo da final do Paulista, especialmente no primeiro tempo). Oswaldo não conseguiu fazer Dudu render, por exemplo. Para mim, isso é muito mais um sinal de nossa carência, de achar que o passado era melhor, de que sempre tomamos decisões erradas e que nosso destino é sofrer ad eternum. Com Oswaldo, lembremos, o time patinava na metade de baixo da tabela. Com Marcelo, bem ou mal, continuamos na cola do G-4, embora seja muito menos do que poderíamos esperar.



Isto posto, é fato que Marcelo está errando, e não está errando pouco. A insistência no esquema tático mesmo quando a coisa não funciona, a carência absurda de lucidez no meio-campo, os gols de bola parada que levamos quase tanto quanto fazemos, a falta de aproveitamento de alguns jogadores, como Allione, a queda de rendimento de outros. Tudo isso vai para a conta do técnico, que, em seu primeiro tempo de folga e paz para trabalhar, entregou um time pífio no jogo de quarta contra a Ponte. Agora, optou por levar os reservas a Floripa para enfrentar o Avaí, com a desculpa de treinar mais o time titular. A conferir se vai dar certo.



Só que ele não erra sozinho. Não foi Marcelo que contratou 25 jogadores, mas entre eles apenas um meia confiável fisicamente, Robinho - e que mesmo assim se contundiu não poucas vezes. Não foi Marcelo que trouxe Cleiton Xavier movido pelo pensamento mágico de um ano que foi um verdadeiro coito interrompido ou resolveu dar uma chance a um Fellype Gabriel que até agora só foi leão de treino, mas nem sequer entrou em campo. Nosso "Mittos" também deve responder por suas falhas na hora de comprar por atacado.



Também não é Marcelo, e nem Mattos, que não consegue por os jogadores em forma. Entra ano, sai ano, e já faz quase uma década que o departamento médico do Palmeiras parece uma oficina mecânica de quinta: o jogador chega machucado, a recuperação geralmente atrasa e em vários casos há uma nova lesão. Os caras são podres ou o trabalho feito com eles é ruim? Por que Robinho se machucou tantas vezes? E Arouca? Não consta que sejam jogadores chegados à prática da chinelagem, ao contrário de um certo jogador que felizmente foi embora.



("Ah, Cesarotti, você reclama do meio mas se o Valdivia estivesse aqui..." Bom, ele ia jogar o que, 20% dos jogos? Quantas vezes teria se machucado desde agosto? Parem de choramingar um defunto que não merece nem vela de aniversário.)



Por fim, os jogadores. A gente costuma cornetar com "o salário está em dia, os caras ganham muito", e é verdade, mas, na boa, só vontade resolve pouco. Não adianta ter vontade se o time é uma zona taticamente, se o técnico não orienta direito e o diretor contrata mal. O problema no Palmeiras não é jogador correndo pouco - ao contrário, muitos ali correm de mais e pensam de menos.



Só não venham reclamar da torcida. O palmeirense paga ingresso caro, sócio-torcedor caro, atura conversa mole de cartola, vê o técnico fazendo cagada, aguenta time que parece bom mas na prática se mostra mediano, assiste a uma derrota patética para a Ponte Preta, e não pode nem cornetar? Na boa: joguem bola e terão o nosso apoio. Vejam, não falo de ganhar, e sim de jogar, de mostrar inteligência, de não correr como idiotas e de não fazer lançamentos de 50 metros quando seu papel é zagueirar. Vitória é consequência. Façam o trabalho direito, e aplaudiremos. Quando fizerem papelão como o de quarta, vai ter vaia, sim. Não gostou? Feche a boca e responda na bola.


3669 visitas - Fonte: ESPNFC

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