Se Marcelo acha que Jackson é a melhor opção para jogar ao lado de Vítor Hugo, que escale mais os dois juntos para ganhar entrosamento
Passada a euforia da epopeia de quarta-feira, é hora de colocar a cabeça no lugar e pensar em como vencer o Santos e conquistar a Copa do Brasil – sem deixar totalmente de lado o Brasileirão e a possibilidade de terminar entre os quatro primeiros colocados, de modo a ter a Libertadores de 2016 na alça de mira das duas armas. Aliás, domingo tem jogo contra o próprio Santos, rival também nessa briga.
A questão mais relevante, me parece, é física: o time está ESBODEGADO, como dizemos aqui no interior. Culpar a preparação física agora não adianta, e é preciso que os profissionais trabalhem para minimizar os efeitos da reta final. Isso significa analisar detalhadamente os dados de cada jogador e saber o quanto cada um pode e deve jogar – porque não adianta também só poupar os caras e deixá-los sem ritmo de jogo na hora da decisão.
Além de recuperar Arouca e deixar Robinho na ponta dos cascos, outros três jogadores me parecem prioridade: Zé Roberto, Barrios e Gabriel Jesus. Zé, apesar da idade avançada, é o menor dos problemas, mas precisa ter um refresco para evitar uma lesão boba de última hora. Barrios vem de uma temporada completa na Europa, uma Copa América e quase nenhum descanso. É nítido que está esgotado, e me incomoda ver torcedores acharem que ele se movimenta pouco – primeiro porque ele tem motivos para estar cansado, segundo que ele é centroavante e deve jogar dentro da área, já temos gente demais para correr. E Gabriel Jesus porque, embora jovem, está encerrando sua primeira temporada entre os profissionais, na qual teve seu corpo exigido numa escala muito maior do que antes.
Os demais devem ser acompanhados de perto para ver quem está em melhor forma e eventualmente quem deve descansar. Onde espero que Marcelo mexa pouco é na zaga: já que ele não vai escalar mesmo o Nathan, e colocar o moleque agora inclusive seria uma baita de uma roubada, é melhor definir Vitor Hugo e Jackson de uma vez como titulares e colocá-los juntos o máximo possível, para que eles consigam o entrosamento ideal e reduzam a margem de erro. Também é urgente mais atenção na bola aérea, especialmente quando Lucas entra na área para fazer a cobertura – tomamos dois gols do Fluminense no confronto em cima dele.
E tem, enfim, a questão do meio-campo. Não é possível que o time dependa tanto de Robinho e que não haja um Cristo para conduzir a bola da defesa ao ataque, sem os malditos chutões, quando ele estiver ausente. Além das opções virtuais Cleiton Xavier e Fellype Gabriel, Marcelo precisa treinar melhor Dudu e Allione para executar tal função em caso de necessidade. Tá duro aguentar a agonia que foi o segundo tempo contra o Fluminense, assim como todo o primeiro jogo, o jogo contra o Sport e os exemplos vão longe.
Por fim, é preciso definir uma estratégia inteligente para enfrentar o Santos, principalmente lá na Vila. Atacar de forma ensandecida não é bom, como provou o pessoal do Jardim Leonor enquanto sofríamos no Palestra. Ficar recuado à espera de pressão tampouco é recomendado, já vimos na final do Paulistão. Achar esse meio-termo, sufocar Lucas Lima, anular Gabriel e minimizar o faro de gol de Ricardo Oliveira são as chaves do sucesso. Fácil, só que ao contrário – mas não sou eu que ganho milhares de reais por mês pra descobrir como fazer isso.
Em tempo: ninguém aqui pediu, está pedindo ou pretende pedir a demissão de Marcelo Oliveira. Acho sim que o trabalho dele deixa a desejar e que não faz o menor sentido lógico a queda de produção do time nos últimos dois meses, mas longe de mim acreditar que, mesmo que terminemos o ano sem nada relevante, o cenário é um desastre. Olhar tudo sob a perspectiva de “melhor que 2014” é muito pouco para um clube da grandeza do Palmeiras, mas recomeçar tudo do zero é burrice. Que Marcelo fique em 2016, com apoio e respaldo da diretoria, para fazer um trabalho realmente bom e nos levar a títulos. A mais títulos, de preferência, já que o da Copa do Brasil esperamos ávidos como crianças que aguardam o bolo de cenoura da vó ficar pronto. Falta muito pra chegar o dia 25?
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