11/4/2014 09:42

Dudu comemora 50 anos da primeira partida com a camisa do Palmeiras

Um dos maiores volantes da história do Palmeiras, Dudu comemora nesta sexta-feira (11) o 50º aniversário de sua estreia pelo clube. Há exato meio século, diante do Santos, no Pacaembu, Olegário Tolói de Oliveira (*Araraquara-SP, 7 de novembro de 1939) vestia pela primeira vez a camisa do Verdão e iniciava uma trajetória de glórias no Palestra Italia.

O meio-campista foi um dos principais nomes da agremiação alviverde durante as décadas de 60 e 70 e, até hoje, tem espaço cativo no coração dos torcedores. Quando pendurou as chuteiras, acumulando um total de 609 partidas, Dudu ocupava o segundo lugar da lista de jogadores que mais atuaram em toda história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Perdia, em número de atuações, apenas para o amigo e companheiro Ademir da Guia. Hoje, o ídolo palmeirense ocupa a terceira colocação, pois, anos mais tarde, foi ultrapassado pelo então goleiro Emerson Leão.

Início de carreira

Foi defendendo a Associação Ferroviária de Araraquara que Dudu deu início à sua carreira profissional, em 1959. À época, aos 19 anos, o garoto franzino atuava na meia, mas já mostrava ser um marcador nato e não dava espaço para os adversários, característica que acompanhou o craque durante toda a carreira.

Chegada ao Palmeiras

No início de 1964, o Palmeiras (presidido por Delfino Facchina) reconheceu as qualidades técnicas do jovem e o sondou com o intuito de reforçar o elenco alviverde. O acordo foi consumado em 31 de março daquele ano. Curiosamente, no mesmo dia, eclodiu o golpe militar no Brasil, fato dificultou o retorno de Dudu a Araraquara, pois a estação ferroviária foi fechada. A sorte de Dudu foi que o hotel onde a Ferroviária costumeiramente se hospedava ficava próxima à estação e o gerente era seu conhecido, já que o jogador não portava dinheiro suficiente para pagar a diária do hotel.

Estreia pelo Verdão

A estreia de Dudu aconteceu em 11 de abril de 1964, mesmo dia em que Castelo Branco fora empossado Presidente da República pelo Congresso Nacional. Àquela altura, a Primeira Academia do Verdão já estava formada – embora só fosse ganhar a alcunha no ano seguinte, em 1965 – e Dudu, para garantir seu espaço no meio de lendas como Ademir da Guia, Tupãzinho, Servilio, Djalma Santos, Djalma Dias, Julio Botelho, Vavá e companhia teria que mostrar o que tinha de melhor. E não desapontou!

O debute do volante foi em um clássico paulista, contra o Santos, no Pacaembu, em partida era válida pelo Torneio Rio-São Paulo. Pelo placar de 2 a 1, foi o time de Pelé que saiu vitorioso. O revés contribuiu para que o Verdão desse adeus ao sonho do título, encerrando o certame na terceira colocação. Mas no ano seguinte, em 1965, era o time de Dudu que iria vestir as faixas de campeão da competição interestadual – e de quebra, ganhar a alcunha de Academia.

Estabilidade no time

Ao chegar ao Palmeiras, em 1964, o jovem de Araraquara precisou adaptar a postura como jogador. Quando defendia a Ferroviária, Dudu tinha uma função um pouco mais ofensiva. Ele só assumiu a posição de volante em 1963, quando Dirceu, companheiro de Dudu nos tempos de Ferrinha, foi negociado com um clube mexicano. Atuando pelo Palmeiras, porém, o jogador ainda demonstrava ter alguns vícios dos tempos de meia.

“Eu saía muito para o jogo na Ferroviária. Não ficava só na defesa. Tinha qualidade para atacar e correr bastante. Joguei assim em 1964, no Palmeiras. Mas comecei a sentir que não estava certo. Então, o Djalma Santos, o [Valdemar] Carabina e o Djalma Dias conversaram comigo: ‘Magrinho, você corre muito e nos atrapalha aqui atrás. Deixa o Ademir municiar o ataque. Fica aqui na frente da zaga. Você não precisa fazer gols.’ Entendi o recado. Até porque sempre fui detalhista. Estudava os rivais. Tentava saber como jogavam, por onde driblavam. Mas as coisas só melhoraram com a ajuda dos mais velhos e com a chegada de Filpo Nuñez, que arrumou de vez o time. Ele berrava para mim: ‘Toca la pelota, Duda!’ É pimpampum!’ Não era Dudu, era Duda, mesmo. E eu tocava. Foi quando me aperfeiçoei na marcação e não cobertura e cheguei à Seleção”, conta Dudu.

E foi seguindo o conselho dos mais experientes que Dudu foi conquistando, pouco a pouco, seu espaço no time. O volante Zequinha – reserva de Zito na conquista do Mundial de 1962 com a Seleção Brasileira – foi cedendo gradativamente a vaga a Dudu, que logo se tornaria titular absoluto do Verdão.

Momentos marcantes

Em 1965, o Verdão foi convidado para representar a Seleção Brasileira, do goleiro ao ponta-esquerda, do técnico ao massagista, inclusive os reservas. Talvez tenha sido a maior honra em toda a carreira de Dudu: vestir a amarelinha naquele 7 de setembro. O jogo fazia parte das festividades de inauguração do estádio Magalhães Pinto, o Mineirão. Naquela oportunidade, o Brasil (Palmeiras) venceu a Celeste Olímpica por 3 a 0.

Em 1966, Dudu também esteve presente na conquista do título paulista. Atuou em 18 partidas (13 vitórias, 2 empates e 3 derrotas) e ainda teve a honra de balançar as redes adversárias uma vez, na vitória alviverde por 3 a 1 sobre o Juventus da Mooca.

Em 1967, a Academia do Palmeiras atravessava uma de suas fases mais áureas, conquistando os dois títulos de maior apelo nacional: a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (mais tarde, ambos foram homologados pela CBF como “Campeonato Brasileiro”). Atuando pelo Robertão daquele ano, Dudu acumulou 18 partidas (8 vitórias, 8 empates e 2 derrotas). E pela Taça Brasil 67, foram 6 jogos (4 vitórias e 2 derrotas).

Entre o final dos anos 60 e início dos anos 70, o Palmeiras passava por uma fase de transformação. A saída de craques como Djalma Santos, Valdir, Zequinha, Servílio, Tupãzinho e Rinaldo – que deixaram o Palmeiras no final dos anos 60 – serviu para que novos jogadores fossem se encaixando no elenco alviverde: Zeca, Eurico, Edu Bala, Leão, Leivinha, Alfredo Mostarda, César Maluco, Luís Pereira e Nei, por exemplo, são alguns deles. Estava nascendo a Segunda Academia. Ademir da Guia e Dudu continuaram no time ao longo dos anos 70. Eles eram a alma da Primeira Academia presente na Segunda Academia.

Ademir e Dudu conduziram muito bem o plantel alviverde. Com a chegada do treinador Oswaldo Brandão, em 1971, o time agora estava pronto para brigar por todos os campeonatos que disputaria. Em 1972, conquistou, entre outros, o Campeonato Brasileiro e o Paulistão. Em 1973, chegou ao bicampeonato brasileiro.

Barreira de 1974 – Exemplo de raça

Em 1974, a participação de Dudu na conquista do Paulistão foi imprescindível. Além de ser um dos azes do Verdão durante todo o certame, o camisa 5 também foi decisivo na finalíssima, em especial, em um lance que ficará para sempre na memória do palmeirense que esteve presente naquele 22 de dezembro de 1974, no Morumbi. Era uma final entre Corinthians e Palmeiras. Fazia 20 anos que o rival não sabia o que era ganhar um título. O Palmeiras saiu na frente com gol de Ronaldo e a torcida alviverde, em menor número, já ensaiava o coro: “Zum zum zum, é 21!”, fazendo alusão ao jejum de títulos do rival, que se estenderia por mais um ano, o 21º.

Aos 20 minutos do segundo tempo, o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilla marca falta a favor do Corinthians. O canhoto Rivelino vai para a cobrança. Não tão longe da grande área, o ídolo rival arrisca uma bomba e Dudu, que estava na barreira, sem pestanejar, se pôs à frente da bola. E foi atingido. Foi um tiro certeiro na testa do volante palmeirense, que, logo em seguida, desmaiou.

Enquanto Dudu era atendido fora de campo, o jogo continuava e uma nova falta havia sido marcada a favor do Corinthians. E mais uma vez, Rivelino preparava a canhota para a cobrança. Eis que Oswaldo Brandão, o treinador, desfere alguns tapinhas contra o rosto do volante. Ainda meio zonzo, porém determinado, Dudu se levanta e, para delírio da torcida, chega bem na hora da cobrança de falta, para ajudar na barreira. A decisão e a coragem de Dudu fizeram com Rivelino se inibisse e não chutasse ao gol, preferindo cruzar a bola. A prova de raça do craque palmeirense fez com que a produção do rival despencasse. Resultado final: Corinthians 0 x 1 Palmeiras. Verdão, campeão paulista de 1974!

Despedida dos campos

O título paulista de 1974 foi a última conquista do eterno camisa 5 do Verdão na condição de jogador. Aos 36 anos, Dudu anunciava sua aposentadoria. A derradeira partida do craque como profissional aconteceu em 24/1/1976, um empate entre Palmeiras e Portuguesa por 3 a 3, no Palestra Italia, em partida válida pelo Torneio Laudo Natel.

Título como treinador

No mesmo ano em que pendurou as chuteiras, Dudu assumiu uma nova função: foi convidado por Nicola Raciopi, então diretor de futebol, para ser treinador do Palmeiras. A decisão foi tomada em conjunto com Paschoal Giuliano, presidente alviverde da época. E o operário, como também era chamado, aceitou o convite e deu sequência ao trabalho de Dino Sani, assumindo o Palmeiras em maio de 1976. Como treinador, Dudu deu ao Palmeiras o titulo paulista daquele – a última conquista antes do angustiante jejum de títulos que iria demorar 16 anos para chegar ao fim. Ao todo, Olegário Tolói de Oliveira comandou o Verdão em três oportunidades (1976-77, 1981 e 1990-91), totalizando 142 jogos (75 vitórias, 45 empates e 22 derrotas).

NÚMEROS PELO PALMEIRAS

Jogos: 609
Vitórias: 341
Empates: 158
Derrotas: 110
Gols: 27

NÚMEROS PELA SELEÇÃO BRASILEIRA

Jogos: 13
Vitórias: 8
Empates: 4
Derrotas: 1
Gols: 1

PRINCIPAIS TÍTULOS

Campeonato Brasileiro: 1967 (Roberto Gomes Pedrosa), 1967 (Taça Brasil), 1969, 1972 e 1973
Campeonato Paulista: 1966, 1972 e 1974
Torneio Rio-São Paulo: 1965
Troféu Ramón de Carranza: 1969, 1974 e 1975

FICHA TÉCNICA DA ESTREIA DE DUDU

Palmeiras 1 x 2 Santos
Data:
11/04/1964
Local: São Paulo (SP)
Estádio: Pacaembu
Competição: Torneio Rio-São Paulo
Árbitro: Anacleto Pietrobon
Publico e Renda: Não disponível
Gol do Palmeiras: Julinho Botelho
Gols do Santos: Zito e Peixinho
Escalação do Palmeiras: Valdir; Djalma Santos, Djalma Dias, Tarciso e Geraldo Scotto; Zequinha (Dudu) e Ademir da Guia; Gildo (Julinho Botelho), Vavá, Servílio (Rinaldo) e Tupãzinho. Treinador: Silvio Pirilo



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