19/5/2017 10:00

Palmeiras e Flamengo irão manter poder econômico no Brasil? O que pensam os homens das finanças dos dois

Pará e Gabriel Jesus em confronto entre Flamengo e Palmeiras em 2016

Ao assumirem o comando de Palmeiras e Flamengo, as atuais gestões da dupla chegaram a uma conclusão: faltava dinheiro.

No rubro-negro carioca, esse rombo era de R$ 130 milhões. No alviverde paulista, o cenário era semelhante. Em ambos os casos, foram necessárias medidas, cada um ao seu modo, que contrastavam inicialmente com os interesses imediatistas dos torcedores, mas que hoje põem os dois em situação privilegiada na comparação aos demais concorrentes no mercado.

A princípio, em uma análise superficial, baseada no dinheiro.

Em campo, especialmente, os cariocas ainda 'derrapam'.

Não é segredo: Flamengo e Palmeiras são os dois clubes mais ricos do país.

Ao Fla, o seu crescimento é creditado a um suposto favorecimento da Rede Globo na distribuição das cotas do Brasileiro - foram R$ 100 milhões em luvas no novo acordo entre 2019 e 2014, por exemplo. "Nosso superávit não se deu por causa disso. O nosso faturamento médio tem sido de R$ 350 milhões. A nossa dívida é reduzida em 14% ao ano. É um crescimento sustentável, não baseado em fatos excepcionais. Passou o ciclo de desespero", rebateu o vice-presidente de finanças, Claudio Pracownik.

No Palmeiras, por outro lado, o seu sucesso tem o apoio dos patrocinadores Crefisa e Faculdade das Américas (FAM), mas, ao contrário do que pregam seus rivais, está apoiado em um tripé, conforme o clube: arena, bilheteria e, também, patrocinador. Ninguém fatura mais com ingressos no país. "É o que todo mundo gostaria de ter nos seus clubes", afirmou o diretor financeiro Luciano Paciello.

Pracownik e Paciello se sentaram lado a lado no Conafut, 1ª Conferência Nacional de Futebol, realizado em São Paulo, e discutiram se uma possível hegemonia é possível.

O ESPN.com.br mostra abaixo o que pensam os homens por trás das finanças da dupla.

Luciano paciello, diretor financeiro do palmeiras

Primeiramente, voltando a 2013, a receita era de um nível muito diferente do que se tem hoje. O que a gente definiu lá atrás era o que queríamos dentro de dois, quatro, seis, oito anos. Um plano para que a gente chegasse hoje. Me recordo de uma conversa que tive com o Paulo Nobre (ex-presidente). Disse a ele: 'Paulo, nós vamos precisar de seis a oito anos para por tudo isso, se der certo, não fazermos muita coisa errada, no trilho'. Não estava muito errado. O Paulo ficou quatro anos. Estamos no quinto ano dessa continuidade de gestão e as coisas aconteceram.

Quem tem receita estrutural, como o Palmeiras tem, uma arena muito forte, uma torcida engajada, receita recorrente e uma certa pulverização, diversificação que a gente entende que hoje está razoável, mas pode melhorar, tende a ter muito mais sucesso no campo esportivo do que outros times que não atuarem nessa situação. Nós temos a receita do sócio Avanti, que em 2013 nós criamos quase um produto novo. Existia um produto até então muito mal utilizado. Gerou uma fonte de receita que muita gente internamente não acreditava que poderia gerar e que, por sua vez, foi visto valor junto aos torcedores e hoje ele representa junto com bilheteria um valor muito interessante em nosso portfólio de receita.

Agora, o que é importante frisar é: primeiro, não vai ser da noite para o dia e, segundo, (somente manteremos) se a gente continuar trabalhando, engajando torcedor, seja por time competitivo, ações que esse torcedor vejam valor. Também não adianta você ter cliente que não vê muito interesse em estar investindo de alguma forma os seus reais vindo de dois anos de crise e recessão (se não valer a pena). O Palmeiras é a maior média de público do Brasileiro com o ticket mais alto. É o que todo mundo gostaria de ter nos seus clubes. Na semana passada, tínhamos 25 mil ingressos vendidos para o jogo uma semana antes. Se você trabalhar ali no dia a dia e conseguir cativar isso, realmente o beneficio vem.

Concordo que Palmeiras e Flamengo, nas suas áreas, atuando do jeito que estão, continuando com a receita que é recorrente - o Palmeiras nunca trabalha com venda de jogador, sempre vai ser upside no negócio -, irão fazer a coisa acontecer. Se mantiver esses três pilares entre arena, bilheteria e patrocínio bastante forte e recorrente, não há clube que sobreviva sem.

Claudio pracownik, vice de finanças do flamengo

Eu imagino que isso (o domínio) vai ser uma decorrência natural se os outros clubes efetivamente não se reestruturarem. O Vasco da Gama (ao ser perguntado sobre a distância de folha salarial com o Vasco, cuja torcida tem tamanho similar à do Palmeiras)... Eu vou lhe dizer, nas últimas eleições dos clubes de futebol coirmãos do Rio de Janeiro, todas elas eu conversei, tentei ajudar membros até da oposição que depois viraram situação, falo isso com a maior tranquilidade. Repetindo o meu discurso de que é preciso que todos cresçam.

O Flamengo não tem pretensão nenhuma de ser o menos medíocre dos medíocres. Quer ser o melhor dos melhores. O mercado tem que crescer e eu preciso que a rivalidade entre Flamengo e Vasco seja uma rivalidade não de ofender um ao outro na TV, provocar torcida, falar bazófia, coisas do tipo, mas preciso que a rivalidade exista porque isso fomenta a torcida para que isso efetivamente gere resultados que permitam aos clubes buscarem patamares maiores.

O que foi dito sobre concentração (na divisão dos direitos de transmissão) eu gostaria de recorrer aqui um pouco ao conceito filosófico de igualdade. Antigamente se dizia que, pelo principio de igualdade, todo mundo deveria ser tratado de forma igual. E depois se evoluiu filosoficamente e até juridicamente para o conceito de isonomia. Ele prevê que você trate os iguais com igualdade e desiguais com desigualdade. Tratar desiguais com igualdade é maneira mais cínica do mundo de se cometer injustiça.

Então, Flamengo e Palmeiras ocupam esse papel que hoje em dia têm e conseguem maiores receitas porque de maneira desigual se profissionalizaram mais, se tornaram mais competentes, tiveram coragem e eficiência para chegar onde chegaram. Você bem colocou a questão da concentração de renda da televisão. No Campeonato Espanhol, chega a 54% entre Real Madrid e Barcelona, aqui chega no máximo a 18, 19% entre Flamengo e Corinthians, quer dizer, longe de ser isso. No Campeonato Inglês, o Leicester foi campeão. Se você separar o direitos de TV dele e dos principais atuantes da liga, tem uma receia muito menor. Ainda assim, foi capaz de ser campeão porque também tem custos menores e foi eficiente na utilização de seus recursos.

Então, essa ideia de que a TV comete injustiça, não comete, ela não comete. Ela paga para quem oferece maior retorno de mídia a seus parceiros. A minha visão é de que esse protagonismo que hoje existe pode continuar se perpetuando, mas não é o ideal, gostaria que outros clubes buscassem não só dentro de campo, mas fora dele um crescimento maior. Volto a dizer: teremos Flamengo e Palmeiras campeões de tudo, mas não seremos Real Madrid e Barcelona. Gostaria que fôssemos. Então, tem todo meu apoio qualquer medida que seja feita para que o crescimento se dê para todos. Agora, com justiça, aqueles que mais se esforçarem, se reorganizarem, buscarem melhores recursos financeiros a partir de suas competências internas, têm que ser premiados efetivamente com mais dinheiro e aí buscar os resultados dentro de campo.

74067 visitas - Fonte: ESPN

Mais notícias do Palmeiras

Notícias de contratações do Palmeiras
Notícias mais lidas

Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!

Enviar Comentário

Para enviar comentários, você precisa estar cadastrado e logado no nosso site. Para se cadastrar, clique Aqui. Para fazer login, clique Aqui ou Conecte com Facebook.

Últimas notícias